domingo, 28 de agosto de 2016

Legado da Olimpíada, só para camadas altas da sociedade


Passaram-se as Olimpíadas e o legado deixado para a cidade ficou majoritariamente para a Zona Oeste, mais precisamente para o bairro da Barra da Tijuca, que abriga uma população que pertence às camadas altas da sociedade.
As favelas, no entanto, continuam sua luta por melhorias e continuidade dos programas e intervenções que não foram concluídos ou que deixaran problemas que ainda não encontraram resposta por parte do Poder Público.
Esse tratamento reforça o sentimento de segregação e relega os moradores das áreas vulnerabilizadas da cidade a cidadãos de segunda classe, a despeito de serem pagantes de impostos.
Mesmo assim, os moradores e moradoras de diversas favelas vêm se organizando ao longo da realização dos megaeventos que aconteceram na cidade como sede e dando visibilidade ao descaso e à indiferença em relação às suas necessidades.
No esforço de receber por parte dos agentes públicos uma resposta, entidades locais, moradores, associações de moradores e instituições parceiras uniram-se aos moradores para organizarem uma proposta para ser apresentada aos gestores.
Para isso, contaram também com o auxilio da Fiocruz e seu Laboratório Territorial de Manguinhos(LTM) e da Defensoria Pública do Estado, na construção de uma Audiência Pública para cobrar soluções.
A audiência ocorrerá no dia 31 de agosto. Segue o resumo e a proposta do que será essa audiência que, mais do que nunca, demonstra que a favela é Cidade.
PAC FAVELAS: PROBLEMAS NÃO RESOLVIDOS
No dia 31 de agosto próximo, acontecerá a Audiência Pública “PAC Manguinhos, Alemão e Jacarezinho: questões habitacionais não resolvidas... Qual a solução?”. Esta audiência pública, convocada pelo Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (NUTH), foi articulada pelos movimentos sociais das favelas de Manguinhos, Alemão e Jacarezinho, a partir de suas ações junto ao NUTH. Será às 14 horas no auditório da Fesudeperj, Rua Marechal Câmara nº 314 – 4º andar, Centro.
Foram convidados para dialogar e apresentar respostas aos problemas levantados pelos moradores dessas favelas órgãos responsáveis pela execução do PAC Favelas: a Prefeitura - Secretaria Executiva de Coordenação (Segov); o Governo do Estado - Secretaria de Obras do Estado, Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos e a EMOP, e; a Superintendência da Caixa Econômica Federal. Órgãos de controle da sociedade: o Ministério Público Federal – Procuradoria dos Direitos dos Cidadãos e o Ministério Público Estadual – Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Cidadania. E o Poder Legislativo: da Câmara Municipal a Comissão de Acompanhamento das Questões de Habitação e da Assembleia Legislativa a Comissão de Política Urbana, Habitação e Assuntos Fundiários.
A abertura da Audiência terá uma atividade cultural organizada pelos moradores com a participação do artista e militante dos movimentos de favelas do Rio de Janeiro Cosme Felippsem morador do Morro da Providência, que fará uma performance político-musical teatralizada.
Após a audiência os moradores farão uma caminhada pelo Boulevard Olímpico, saindo do auditório do Fesudeperj até a Praça Mauá.
O Que os Moradores Reivindicam
Um problema comum vivenciado pelas três favelas é a não entrega de suas casas prometidas pelo Governo do Estado no âmbito do PAC. São mais de 4 mil famílias que estão em aluguel social, a maioria há mais de 5 anos, por terem tido suas casas removidas em razão de obras do plano de Aceleração do Crescimento, seja por morar em áreas de risco, abertura de vias, etc. No Alemão são mais de 1.700 famílias, no Jacarezinho mais de 1.900 famílias e em Manguinhos 1.090 famílias, das comunidades CCPL (403 famílias), CONAB (662 famílias), Parque João Goulart (10 famílias), Vila São Pedro (10 famílias) e Vila União (5 famílias). Problema agravado pelo atraso sistemático no recebimento deste pagamento, além da defasagem no valor do mesmo que continua de R$ 400, 00, desde o início das remoções, há mais de 5 anos.
Em Manguinhos, por exemplo, os moradores enfrentam problemas graves, alguns não resolvidos, outros agravados e, ainda, outros criados pelo próprio PAC, tais como: as casas em risco de desabamento; a persistência de problemas de saneamento básico, com redes de esgoto estouradas ou misturadas com as águas de chuva, a precária coleta de lixo e de fornecimento de água, nas ruas e vielas por onde passou o PAC, e anteriormente outras políticas públicas como o PROSANEAR, na década de 1990; as precariedades da rede elétrica e de fornecimento adequado de luz; as dificuldades de mobilidade pelas precárias condições das vias; e as enchentes como a perpetuação de um problema que tem solução, e que o PAC não resolveu. Com relação aos problemas de habitação destacamos também a manutenção de famílias em aluguel social sem que haja um horizonte para a definição de sua moradia definitiva e obras inacabadas que afetam as condições de moradia.
Estes problemas em Manguinhos constam do relatório “PAC Manguinhos: Problemas não Resolvidos e Recomendações”, elaborado por pesquisadores do Laboratório Territorial de Manguinhos (LTM), da FIOCRUZ, dos projetos de extensão Arquitetando Intersubjetividades da UNISUAM e LSECAU/FEN da UERJ, em abril deste ano, para subsidiar as demandas dos moradores junto a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.
O PAC Favelas, quando foi anunciado, trouxe muitas esperanças para os moradores do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo desconfianças, pois em suas memórias estão sempre vivas as suas experiências com a pouca ou nenhuma transparência na definição de prioridades, a incompletude e a provisoriedade, que marcam as políticas públicas na cidade do Rio de Janeiro. Desconfianças essas que, novamente se concretizaram em obras mal feitas, outras inacabadas, e outras que sequer saíram do papel.
A despeito de ter colocado as favelas na agenda positiva da cidade e de ter realizado algumas obras, que mudaram as favelas onde teve intervenções, o PAC deixou um legado de mal feitos e de desesperanças. Não trouxe nenhuma mudança substantiva nos modos de se fazer política na cidade, como havia sido anunciado pelo Governo Federal, como condição para o financiamento das obras. Não foram superados o clientelismo eleitoreiro e as práticas de cooptação por grupos políticos, nem os interesses republicanos e coletivos passaram a preponderar sobre os interesses individuais, sejam dos governantes, das lideranças locais ou de outros interessados. Processo esse bem conhecido dos moradores, que tem como final infeliz as prioridades da sociedade mais uma vez relegadas com a continuidade dos problemas, num círculo vicioso sem fim.
* Pesquisadora Consultora na ONG ASPLANDE e moradora do Borel

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

TURISMO DISCUTE A NOVA "CARA" DO RIO DE JANEIRO

 16/08/2016 - 16:26h - Atualizado em 16/08/2016 - 16:26h 
Especialistas apresentam cases de sucesso em uso de marcas em cidades estrangeiras

Representantes da área de turismo dos governos da Nova Zelândia, Áustria e México estiveram reunidos nesta terça-feira (16) no Espaço Rio de Janeiro para a Conferência Turismo & City Branding. O objetivo foi discutir a imagem que a cidade deseja vender ao mundo e o place branding como ferramenta para a atração de investimentos e desenvolvimento do turismo.

Com mais de 100 empresários e profissionais do trade, o evento foi dividido em dois painéis. No primeiro, que tratou do place branding, os representantes concluíram que é preciso haver uma estratégia segmentada para o desenvolvimento de uma marca de local, atendendo a interesses diversos. Já no segundo, que falou sobre a imagem que o Rio de Janeiro deseja vender ao mundo, os participantes concordaram que o legado de desenvolvimento urbano das Olimpíadas proporcionou um aumento na autoestima do carioca, e que a cidade agora oferece novos destinos turísticos, na forma do Boulevard Olímpico e da zona portuária.

Nilo Sergio Felix, secretário de estado de Turismo do Rio, abriu o evento exaltando o trabalho que está sendo desenvolvido pelo interior para promover seus atrativos para os turistas.

- A Olimpíada é um dos maiores eventos do mundo e não poderíamos estar mais felizes com os resultados positivos que o Estado está conquistando. É muito gratificante ver que no interior a ocupação hoteleira chegou a 95% em alguns municípios. Isso é fruto de muito trabalho tanto das cidades quanto da secretaria.

Além disso, o secretário apresentou o Rio+3, marca que Setur-RJ/ TurisRio está trabalhando para divulgar Estado. O projeto, que aposta em destinos e roteiros do interior a três horas de distância da capital, já foi divulgado em grandes eventos como Rock in Rio Las Vegas, feiras internacionais como a ITB Berlim Media Center e a regata de vela mais longa do mundo, a Clipper Race.

Também participaram da conferência, Vinícius Lummertz, presidente da Embratur e Antônio Pedro Filgueira de Mello, secretário especial de Turismo, que enfatizou a importância de divulgar a cidade para o exterior.

- Queremos mostrar ao mundo, todas as vertentes da cidade. O Rio das praias, das belezas, das festas e também dos negócios para chamarmos cada vez mais turistas a nossa cidade.

Até o final dos Jogos Paralímpicos, o Espaço Rio, localizado no Boulevard Olímpico, ainda será palco de mais 11 conferências e rodadas de negócio sobre setor estratégicos da economia do Estado. A ideia é atrair negócios e projetos para o Rio de Janeiro nos próximos dois anos aumentando a visibilidade do Estado.

Também estiveram presentes na conferência, José Carlos Ferreira de Sá, presidente da RioTur, Marcelo Haddad, presidente da Rio Negócios, Michael Nagy, diretor comercial do Rio CVB, Pedro Guimarães, diretor da Marina da Glória entre outras autoridade.

ARTESANATO É DESTAQUE NA OLIMPÍADA

 15/08/2016 - 12:06h - Atualizado em 15/08/2016 - 17:04h 
Atividade ganha exposição na Casa Brasil e espaço exclusivo na Zona Sul

Ao retornarem aos seus destinos, os mais de 540 mil turistas que nos visitam levarão, além de belos cenários na memória, algum souvenir com temática carioca. A maior parte destas lembranças é produzida manualmente por artesãos de diferentes regiões do estado. Atenta e este crescente mercado, e com foco na organização da atividade, a Secretaria de Estado de Turismo aproveita a visibilidade dos jogos olímpicos e da quantidade de turistas para garantir o espaço merecido ao segmento com a abertura de uma grande exposição na Casa Brasil, espaço do Governo Federal localizado no Pier Mauá, em pleno Boulevard Olímpico.

Entre segunda e terça-feira da próxima semana o público verá de perto duas mil peças, entre esculturas, assessórios de moda, peças de decoração, entre outros. Os visitantes também poderão entender mais sobre os trabalhos com representantes de associações de artesãos, que também realizarão vendas de peças exclusivas no local. Na mesma semana, em Botafogo, será aberto o espaço TurisArte, uma parceria com Furnas, onde serão concentradas atividades, oficinas e venda de peças produzidas pelos artesãos cadastrados no Programa de Artesanato do Estado. 

Espaço dedicado à atividade na Zona Sul

Um dia após a realização da exposição na Casa Brasil, a Secretaria de Estado de Turismo abre as portas do Espaço TurisArte, em Botafogo com as presenças secretário de Estado de Turismo, Nilo Sergio Felix e do presidente de Furnas, Ricardo Medeiros. O local se destaca como a sede do artesanato fluminense, que, além de abrigar exposições permanentes, o espaço funcionará como centro de capacitação profissional.

- Observamos uma quantidade enorme de artesãos e feiras para comercializados de produtos. Porém, é latente a necessidade de organização da atividade. As técnicas e a genialidade os artesãos já possuem, nosso objetivo é agregar novas experiências e ampliar o relacionamento e capacitação deste nicho com o mercado. Por isso a importância de aproximação com público de diferentes partes no mundo na Casa Brasil, além a abertura do TurisArte, que dá ao profissional do artesanato a chancela do Estado, eleva sua auto estima como profissional e agrega visibilidade ao produto – explica o secretário de estado de Turismo, Nilo Sergio Felix.

Até as Paraolimpíadas serão oferecidos gratuitamente dois cursos por dia aos artesãos interessados em aprimorar conhecimentos e conhecer novas estruturas e conteúdo ligados ao setor. As aulas iniciam já no dia 17, em quatro horários entre os períodos da manhã e da tarde.

- É um grande momento para os artesãos do nosso estado, que por muito tempo não tinham reconhecimento e hoje, ganham destaque no maior evento esportivo do mundo – ressalta a coordenadora do programa, Nea Mariozz.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016


Setur-RJ abre mostra artesanal na Casa Brasil e no espaço TurisArte em Furnas

Foi aberta nesta segunda-feira (15) na Casa Brasil uma exposição com duas mil peças, entre esculturas, artigos de moda, peças de decoração, entre outros. Os visitantes também poderão conhecer mais sobre os trabalhos com representantes de associações de artesãos, que também realizarão vendas de peças exclusivas no local. Durante a semana em Botafogo, será aberto o espaço TurisArte, uma parceria com Furnas, onde serão concentradas atividades, oficinas e venda de peças produzidas pelos artesãos cadastrados no Programa de Artesanato do Estado.
Na quarta-feira (17) a Secretaria de Estado de Turismo abre as portas do Espaço TurisArte, em Botafogo com apoio do secretário de Estado de Turismo, Nilo Sergio Felix e do presidente de Furnas, Ricardo Medeiros. O local se destaca como a sede do artesanato fluminense, que, além de abrigar exposições permanentes, o espaço funcionará como centro de capacitação profissional.
“Observamos uma quantidade enorme de artesãos e feiras para comercializados de produtos. Porém, é latente a necessidade de organização da atividade. As técnicas e a genialidade os artesãos já possuem, nosso objetivo é agregar novas experiências e ampliar o relacionamento e capacitação deste nicho com o mercado. Por isso a importância de aproximação com público de diferentes partes no mundo na Casa Brasil, além a abertura do TurisArte, que dá ao profissional do artesanato a chancela do Estado, eleva sua auto estima como profissional e agrega visibilidade ao produto” explica o secretário de estado de Turismo, Nilo Sergio Felix.
Até as Para Olimpíadas serão oferecidos gratuitamente dois cursos por dia aos artesãos interessados em aprimorar conhecimentos e conhecer novas estruturas e conteúdo ligados ao setor. As aulas iniciam já no dia 17, em quatro horários entre os períodos da manhã e da tarde. “É um grande momento para os artesãos do nosso estado, que por muito tempo não tinham reconhecimento e hoje, ganham destaque no maior evento esportivo do mundo” ressalta a coordenadora do programa, Nea Mariozz.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Lei traz recursos para economia solidária no Estado do Rio

Wladeck03Nascido de uma proposta elaborada pela Frente Parlamentar em Defesa da Economia Solidaria, a Lei 7368/2016, de autoria do deputado Waldeck Carneiro e de seis outros parlamentares, teve o veto do governador do Rio derrubado na ALERJ, sendo sancionada. Os recursos para Fundo serão administrados pelo um Conselho Estadual de Economia Solidária e as contribuições virão das subvenções e auxílios de União, do Estado e Município. Essas arrecadações são autorizadas e estão contidas na lei estadual das arrecadações que é fruto de consórcios, programas de cooperação, contratos e acordos específicos fechados entre o Estado do Rio de Janeiro e instituições públicas e privadas sejam elas nacionais e estrangeiras.
Este projeto de Lei, autoriza Poder Executivo a criar o Fundo Estadual de Fomento do setor (FEFEPS) objetivando proporcionar os meios necessários ao financiamento dos  empreendimentos populares solidários, como  c0operativas, incluindo a qualificação de seus agentes, com vistas à geração de renda autossustentável e à formação cidadã, uma solicitação de anos do setor. O Executivo poderá celebrar convênios com entidades de direito governamental ou particular, nacionais ou internacionais, que tenham interesse em cooperar na implantação do Programa de Fomento à Economia Popular Solidária, instituído pela Lei nº 5.862/11, de 13 de janeiro de 2011, inclusive subsidiando os empreendimentos populares e solidários, o processo de incubação e as ações específicas de acesso às novas tecnologias.

Gestores de Economia Solidária da região Sul se reúnem em Londrina

Gestores de Economia Solidária da região Sul se reúnem em Londrina
10 Medidas contra a corrupção
conheça as 10 medidas
(Propostas do Ministério Público Federal apoiadas pelos Ministérios Públicos de todo o Brasil)
MedidasPrevenção à corrupção, transparência e proteção à fonte de informação
Esta medida inclui a destinação de parte dos recursos de publicidade dos entes da Administração Pública (entre 10% e 20%) a programas de marketing voltados a estabelecer uma cultura de intolerância à corrupção e a conscientizar a população sobre os danos sociais e individuais causados por ela. Além disso, propõe o treinamento reiterado de todos os funcionários públicos em posturas e procedimentos contra a corrupção, o estabelecimento de códigos de ética claros e a realização de programas de conscientização e pesquisas em escolas e universidades. Para estimular denúncias de casos de corrupção, pretende-se garantir sigilo da testemunha. Por fim, propõe-se ainda, mecanismos que garantam a celeridade dos processos, sempre que seu trâmite demorar mais do que a duração razoável.
medidasCriminalização do enriquecimento ilícito de agentes públicos
A proposta torna crime o enriquecimento ilícito de agentes públicos, com previsão de pena de prisão variando entre três e oito anos. A medida pretende garantir que o agente público não fique impune mesmo quando não for possível descobrir ou comprovar quais foram os atos específicos de corrupção praticados por ele. Ou seja, ainda que não tenha sido possível comprovar o crime de corrupção na origem, o fato de o agente público ter adquirido considerável patrimônio, absolutamente incompatível com seus rendimentos, poderá acarretar a responsabilização, pela evidência do enriquecimento ilícito.
medidas Aumento das penas e crime hediondo para corrupção de altos valores
Prevê o aumento de pena para crimes de colarinho branco conforme o valor do dinheiro desviado. Assim, quanto maior o dano causado ao patrimônio público, maior será a condenação, que pode variar de 12 até 25 anos de prisão, quando o montante for superior a R$ 8 milhões. A ampliação da pena objetiva coibir a prática da corrupção, bem como evitar a prescrição dos crimes desta natureza. Além disso, atribui aos crimes de corrupção peso equivalente aos crimes praticados contra a vida, pois a corrupção mata ao desviar recursos públicos que deveriam garantir direitos essenciais como saúde, educação, saneamento básico e segurança.
medidasAumento da eficiência e da justiça dos recursos no processo penal
São propostas 11 alterações pontuais no Código de Processo Penal (CPP) e uma emenda constitucional, a fim de dar celeridade à tramitação de recursos em casos do chamado “crime do colarinho branco”, sem prejuízo do direito de defesa do réu. Atualmente, brechas na lei permitem que a sentença final desse tipo de crime demore mais de 15 anos para ser proferida, diante de recursos e estratégias que protelam as decisões.
Essas alterações incluem a possibilidade de execução imediata da condenação quando o tribunal reconhece abuso do direito de recorrer; a revogação dos embargos infringentes e de nulidade; a extinção da figura do revisor; a vedação dos embargos de declaração de embargos de declaração; a simultaneidade do julgamento dos recursos especiais e extraordinários; novas regras para habeas corpus; e a possibilidade de execução provisória da pena após julgamento de mérito do caso por tribunal de apelação, conforme acontece em inúmeros países.

medidasCeleridade nas ações de improbidade administrativa
A medida propõe três alterações na Lei nº 8.429/92, que trata das sanções aplicáveis a agentes públicos que cometem atos de improbidade administrativa, para agilizar a tramitação de ações dessa natureza. Dentre as alterações estão a adoção de uma defesa inicial única (hoje ela é duplicada); a criação de varas, câmaras e turmas especializadas para julgar ações de improbidade administrativa e ações decorrentes da lei anticorrupção.
medidasReforma no sistema de prescrição penal
Um crime prescreve quando o julgamento final de um caso demora tanto tempo que a punição perde seu efeito. Nos crimes de colarinho branco, muitas vezes essa demora é utilizada como manobra de defesa, que interpõe recursos e outras medidas judiciais para retardar o andamento do processo e, assim, evitar a punição dos acusados.
A proposta consiste em promover alterações nos artigos do Código Penal referentes ao sistema prescricional, a fim de se evitar que decisões judiciais sejam postergadas e acarretem a prescrição. Também permite que a contagem do prazo da prescrição da pretensão executória comece a contar do trânsito em julgado (decisão de última instância, quando não cabe mais recurso) para todas as partes, e não apenas para a acusação, como é hoje. Além disso, são sugeridas alterações para se evitar que o prazo para prescrição continue correndo enquanto há pendências de julgamento de recursos especiais e extraordinários. Pretende-se, ainda, que as prescrições possam ser interrompidas por decisões posteriores à sentença e por recursos da acusação.
medidasAjustes nas nulidades penais
Esta medida propõe uma série de alterações no capítulo do Código de Processo Penal que trata de nulidades, com o objetivo de que a anulação e a exclusão da prova somente ocorram quando houver uma efetiva e real violação de direitos do réu. Busca-se evitar que o princípio da nulidade seja utilizado pela defesa para retardar ou comprometer o andamento do processo.

medidasResponsabilização dos partidos políticos e criminalização do caixa dois
A medida pretende responsabilizar, de forma objetiva, os partidos políticos em relação a práticas corruptas, à criminalização da contabilidade paralela (caixa 2) e à criminalização eleitoral da lavagem de dinheiro produto de crimes, de fontes de recursos vedadas pela legislação eleitoral ou que não tenham sido contabilizados na forma exigida pela legislação.
MedidasPrisão preventiva para evitar a dissipação do dinheiro desviado
Propõe mudanças na lei para que o dinheiro ilícito seja rastreado mais rapidamente, facilitando tanto as investigações como o bloqueio de bens obtidos de forma ilegal. Também cria a hipótese de prisão extraordinária para permitir a identificação e a localização de dinheiro e/ou bens provenientes de crime, evitando que sejam utilizados para financiar a fuga ou a defesa do investigado/acusado.
medidasRecuperação do lucro derivado do crime
Esta medida traz duas inovações legislativas que acabam com brechas na lei para evitar que o criminoso alcance vantagens indevidas. A primeira delas é a criação do confisco alargado, que permite o confisco dos valores existentes entre a diferença do patrimônio declarado e o adquirido comprovadamente de maneira ilegal (como os obtidos através de crimes contra a Administração Pública e do tráfico de drogas). A segunda inovação é a ação civil de extinção de domínio, que possibilita que a Justiça declare a perda de bens obtidos de forma ilícita, independentemente da responsabilização do autor do ato infracional.

domingo, 14 de agosto de 2016


O verdadeiro "desempate" dos jogos nas favelas cariocas


Mais uma lamentável cena em uma das favelas do Rio de Janeiro, três adolescentes mortos em uma incursão das forças policiais. Ao ouvir a trágico resultado da operação, lembrei imediatamente de um depoimento dado por um morador da favela de Manguinhos que vizinhos ouviram de um policial que a morte de seu filho "desempatava" um jogo, o relato foi feito durante uma audiência pública ocorrida no prédio da Defensoria Pública do Estado, no dia 23 Junho deste ano e que tinha o título de "Segurança pra Quem?".
Ao ouvir estas palavras todos ficaram perplexos. Hoje estas palavras voltaram à minha lembrança com muita força, juntamente com as afirmações de um "comentarista " de segurança de um programa de tv com alto teor de ocorrências policiais, de que o Rio de janeiro tem um tipo "particular, peculiar" de violência, como se isso pudesse minorar os danos que ações como estas vem produzindo e gerando um alto índice de mortalidade juvenil.



A memória trouxe ainda a lembrança dos comentários do ex-secretário de segurança do Rio, Hélio Luz para um documentário sobre a guerra às drogas, que deram título ao documentário "Notícias de uma guerra particular".
O infortúnio pelo qual passou infelizmente resultou em sua morte, o policial da Força Nacional, ao entrar por engano em uma favela, não pode fazer parte de um jogo cruel e mórbido, onde empate e desempate se computam com vidas.
As sociedades modernas criaram seus sistemas de justiça, buscando a total extinção do que foram as terríveis práticas de suplícios, tão bem explorada pelo filósofo francês Michel Foucault em sua obra "Vigiar e Punir", e distanciarem-se do horror de seus ritos(não que tenhamos o melhor dos mundos).
Não há mais possibilidade de se sustentar, ou se fazer "vista grossa" ante a barbárie, ante a criminalização dos espaços vulnerabilizados por políticas descontinuadas e racismo institucional. Não podemos ficar ostentando títulos absurdos como ter polícia que mais mata e mais morre.  
Não podemos mais continuar vivendo a normalização de uma pena de morte não oficializada. Não podemos conviver tão docilmente com essa situação que já está se tornou insustentável. Manter as coisas como estão só está nos levando por um caminho perigoso. Estamos vivendo uma realidade paralela, uma realidade que a mídia não mostra, para além do Rio olímpico há cidadãos e cidadãs vivendo em um Rio de sangue.
*Pesquisadora Consultora na ONG ASPLANDE

Reforma trabalhista é aprovada no Senado; confira o que muda na lei As alterações mexem em pontos como férias, jornada de trabalho, remun...