quinta-feira, 31 de março de 2016


Em 31 de Março de 2016

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico Solidário, através do Circuito Rio Ecosol - SEDES, acaba de receber o terceiro lugar do Prêmio Boas Práticas Municipais de Indução ao Acesso ao Mundo do Trabalho - 2015. O prêmio foi idealizado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos para promover a troca de experiências e institucionalizar na administração pública o conhecimento das práticas bem sucedidas desenvolvidas pelos municípios fluminenses que buscam induzir o acesso da população em situação de pobreza ao mundo do trabalho. 


Ao todo foram inscritas 29 práticas de todo estado que resultaram na classificação de nove práticas semifinalistas. O Circuito Rio Ecosol ficou com o terceiro lugar por promover trabalho e renda para os artesãos da economia solidária no município do Rio. 

O prêmio foi recebido pela coordenadora de economia solidária e comércio justo da pasta, Ana Asti, e da assessora Katia Perobelli que estiveram representando o secretário Fabiano Horta. 

Prêmio Boas Práticas Municipais de Indução ao Acesso ao Mundo do Trabalho

Reconhecer as iniciativas bem-sucedidas dos municípios fluminenses, que buscam introduzir o acesso da população em situação de pobreza e extrema pobreza ao mundo do trabalho. Esse é o objetivo do "Prêmio Boas Práticas Municipais de Indução ao Acesso ao Mundo do Trabalho", promovido pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro (SEASDH), por meio da Subsecretaria de Integração de Programas Sociais (SSIPS). Os ganhadores serão conhecidos, nesta quinta-feira (31/03), em cerimônia ser realizada no Palácio Guanabara.


Colunistas - Comunidade em pauta

Como diria Bethânia: "Eu gosto de ser mulher"


Há alguns dias me lembrei de um fragmento de uma canção da MPB, que diz 'Eu gosto de ser mulher', acho que na voz da diva Bethânia. Finalizando o mês de Março, mês das mulheres, pensei nas mulheres da favela.
Mulheres que ressignificam e dignificam a existência delas e dos outros a sua volta. Que fazem do cotidiano violento, combustível para ir em busca de uma vida melhor, para si e para as outras. Ainda que nem tenham se apercebido disso.
Mônica Santos Francisco
Mônica Santos Francisco
Lembrei de tantas que conheci e conheço. Não à toa, favela é substantivo feminino e complexo, cheio de nuances e humores. São elas que produzem ainda, o amálgama que de alguma forma mantém atados os laços e as relações.
São elas que cuidam, ainda que por vezes de maneira invisível e silenciosa, da saúde, da creche, não que não tenhamos homens que colaborem de forma intensa nesse sentido, mas a mulher perfuma.
São tantos os talentos, as possibilidades, as transformações. São tantos os caminhos construídos por elas nesta luta diária peça melhoria das condições de vida nas favelas, que não poderia fechar o mês de Março, sem marcar a importância do papel das mulheres de favela na luta pela cidadania.
Não posso escrever nomes, embora eu queira muito, mas o bom senso me diz que minha memória vai me pregar peças. Fico então com o bom senso e digo que todas, as conhecidas e as desconhecidas, deixam esse lugar tão ambíguo, cada vez melhor.
*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE. (Twitter/@ MncaSFrancisco)

Estado democrático de direito nunca foi uma realidade nas favelas

Jornal do BrasilMônica Francisco
"Nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado, ninguém respeita a nossa Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação". Assim, lembrando a emblemática música do Legião Urbana, inicio meu artigo deste domingo, após pensar muito em tudo que temos vivido, visto, ouvido e sentido.
Me orgulho de escrever para um jornal que sempre buscou ser um pouco mais coerente com a tarefa de informar, embora também e óbvio influenciar na formação da opinião dos cidadãos e cidadãs, leitores e leitoras deste veículo, antes impresso, hoje completamente on line.
Mais ainda em poder ser uma das vozes oriunda das favelas do Rio de Janeiro e compartilhar os olhares deste lugar sobre a vida, o cotidiano e tudo o que que diz respeito a nós.
O Estado dito democrático de direito, nunca foi uma realidade nas favelas. A violação dos direitos nestas áreas beira o limite do imaginável e do aceitável. Neste mês, muitas memórias, entre elas a instauração do Ato Institucional de número 5 (trevas) e a morte de Cláudia Silva Ferreira, que depois de assassinada por policiais, teve seu corpo supliciado, ao ser arrastada pela viatura que o transportava.
Nossas tristes memórias, memórias de dor, que nos colocam em xeque, tanto quanto nação, tanto como pessoas. Não podemos nos permitir o retrocesso e nem a continuidade do Estado de exceção vivido por uma população que vive nas mais vulnerabilizadas.
Precisamos nos apropriar do que conquistamos, tanto na favela, quanto em todas as instâncias deste país. Devemos acirrar a luta pela consolidação da nossa democracia, principalmente, onde mesmo depois de 1985, ano que encerrou um período sombrio da nossa história brasileira, continuemos à viver como cidadãos e cidadãs de segunda classe.
Precisamos avançar, na favela, fora dela, em todas as áreas. Precisamos tomar como objetivo principal, vivermos a República democrática que lutamos por viver, todos e todas nós. Amadurecer causa muitas dores, todas elas inerentes ao crescimento e amadurecimento. Mas também nos traz muitas conquistas. 
São nas pequenas mudanças diárias, que as grandes mudanças se constroem e se consolidam. Consolidadas nos permitem viver a cidadania plena, não sem problemas, porque eles sempre aparecerão, mas com maturidade, dignidade e compartilhamento para resolvê-los.
A nossa maior fonte de soluções, somos nós mesmos, aqui, no local, no cotidiano, na troca e na interação com o outro. Nas relações humanas, no respeito e na construção e na defesa dos bens comuns. 
A nossa luta é todo dia. Favela é Cidade. Não aos Autos de Resistência, à GENTRIFICAÇÃO, à REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL, ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO, ao MACHISMO, À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER e à REMOÇÃO!"
*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.(Twitter/@ MncaSFrancisco)

A favela e a inovação sustentável e econômica


Jornal do BrasilMônica Francisco
Recebendo notícias do sucesso do projeto das hortas orgânicas feitas pelos moradores das favelas da Babilônia e Chapéu Mangueira, fiquei pensando no potencial que as favelas têm para gerar riquezas e ainda promover a consciência ambiental. Aliás , ampliar a consciência ambiental.
Em uma época de acirrada medicalização da vida, pensarna possibilidade de produzir em parceria com instituições e universidades, herbários que possam produzir fitoterápicos que auxiliem em algumas situações, é animador.
No Borel já podemos perceber, e no Morro da Formiga também, os belos resultados do reflorestamento.
São animais que haviam desaparecido e voltam a povoar seu antigo lugar. Por vezes acontecem cenas inusitadas como uma família de primatas ou de micos fazendo a festa.
Mas tudo isso colocado para lançar luz sobre a potencialidade de produzir economia, ampliar a criação de hortas e diminuir os espaços ociosos transformados em lixões, e em meio a uma crise que ameaça as economias do mundo, podemos construir uma alternativa sem precedentes.
Gerar trabalho e renda, movimentar a economia local, promover o acesso a uma alimentação saudável, barata e produzida de maneira coletiva.
Favela também é possibilidade de inovação sustentável e econômica. 
*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.(Twitter/@ MncaSFrancisco)

A crise política e o papel da favela

Jornal do BrasilMônica Francisco 
O país para por força da vontade daqueles que querem derrubar um governo eleito, por conta daqueles que em nome de uma suposta luta contra a corrupção, defendem o caos, extrapolam todos os níveis de racionalidade possível e nos fazem passar por imbecis ou cegos.
Não há dúvida que nisso tudo, sem trocadilhos, a certeza de que não somos nem um pouco a razão das suas vidas parlamentares, com raríssimas exceções, é algo evidente e assustador, embora já há muito fôssemos sabedores desse triste fato, mas não imaginaríamos que tão logo isso seria tão descaradamente visível.
Enquanto tudo isso acontece e parte considerável da mídia só dá a isso sua atenção, nossas favelas vêm demonstrando cada vez mais sinais de um esgarçamento e de fragilidade na capenga e controversa ação das forças de segurança presente efetivamente nelas.
Já venho dizendo por aqui e muitos outros e outras moradores, especialistas, coletivos atuantes na favela, que nenhuma política se mantém sem que a população sinta-se parte instituinte do processo de sua formulação e implementação, para que se busque cada vez mais resultados positivos nas suas consequências.
Muito tem se falado, apontado também, da necessidade de uma ampliação do debate a respeito desse assunto. Mais jovens vão morrendo, sejam eles que jovens sejam. A questão não é essa, a questão é que haverá um aumento considerável no contingente jovem da população nas favelas do Rio de Janeiro nos próximos 50 anos, a despeito da diminuição deste mesmo contingente no conjunto da população em todo o território brasileiro.
Mediante essa perspectiva, reforçada fica a necessidade dessa análise conjuntural, estimulada ainda mais pela pesquisa oficial realizada pela Fundação Getúlio Vargas para o Programa Visão 500 da Prefeitura, com todas as discussões realizadas pelos fóruns de discussão sobre as questões das juventudes e demais coletivos e instituições públicas ou não, que tem nesse tema, a juventude, seu objeto principal de trabalho e reflexão.
Isso porque, sem dúvida, a única e já cansativa e desalentadora forma de ação oficial tem sido a mesma de sempre. As mortes não cessam, é vertiginoso e desesperador a constatação de que é como uma bica aberta e água indo embora sem nenhuma cerimônia.
Quem fecha essa torneira que desperdiça vidas aos montes?
Não há na favela indiferença em relação ao contexto  e cenário atual de nosso país. O que há é uma certa , ou melhor, uma maior reserva em pensar o macro, porque o micro, o seu lugar, o lugar  das suas relações e identidade, nunca é pensado de outra forma,  que não a urgente necessidade sempre reeditada de se controlar e de se punir.
Mata-se tão tranquilamente em nossas favelas, morre-se tão frequente também nelas e tão cedo. Premente é a provocação de um debate mais amplo e diverso sobre esta questão. 
Triste a constatação do Mapa da Violência 2016, que só vai se alinhando com os dos anos anteriores na mensuração da morte violenta e seu público alvo jovem, negro e de baixa escolaridade.
Ou nos dedicamos ao que importa ou morremos todos de alguma forma.
A nossa luta é todo dia. Favela é Cidade. Não aos Autos de Resistência, à GENTRIFICAÇÃO, à REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL, ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO, ao MACHISMO, À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER e à REMOÇÃO!"
*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.(Twitter/@ MncaSFrancisco)
O aplicativo Kilombu

  A proposta é simples. Pretendemos unir duas pontas: A primeira ponta são as empreendedoras e os empreendedores em sua diversidade de atuação. Estes podem ser: trançadeiras, turbanteiros, pedreiros, escritores, donos de lojas e etc.; Na outra ponta, temos os consumidores interessados em usar um serviço ou produto feito, comercializado ou distribuído por nossos anunciantes.

  Uma iniciativa como esta, se mostra providencial, quando observamos a situação do afroempreendedor brasileiro, evidenciada em notícia veiculada pelo portal de notícias G1: "Dados processados pelo Sebrae a partir da PNAD 2013 revelam a distinção entre empresários negros e brancos. Enquanto 78% dos empreendedores declarados brancos são empregadores, entre os negros o número corresponde a 9%. Os demais (91%) são classificados como empresários por conta própria – aqueles que trabalham sozinhos ou com sócio, mas não contam com empregados remunerados.".

  Por essa razão, pretendemos potencializar empreendedores negros tornando-os ainda mais qualificados em suas zonas de atuação a fim de promover uma maior igualdade de oportunidades. O Kilombu é, portanto, uma ação afirmativa, que objetiva ajudar a construir uma sociedade mais plurarista.
  "As ações afirmativas no Brasil partem do conceito de equidade expresso na constituição, que significa tratar os desiguais de forma desigual, isto é, oferecer estímulos a todos aqueles que não tiveram igualdade de oportunidade devido a discriminação e racismo" conforme consta no site da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). Ações como esta possuem um caráter temporário, atuando enquanto perdurem as desigualdades.
  Vale ressaltar que "em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade que as ações afirmativas são constitucionais e políticas essenciais para a redução de desigualdades e discriminações existentes no país" ainda segundo informações disponibilizadas pela SEPPIR.





Três jovens estudantes da Fundação Getulio Vargas e do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), onde dois deles fazem mestrado em matemática aplicada e um está se graduando em ciências sociais, criaram um aplicativo de celular, o Kilombu, cuja primeira versão está disponível para plataforma Android, desde o último dia 20. O aplicativo reúne anúncios de serviços e negócios prestados por empreendedores negros que, em sua maioria, nunca tiveram acesso a estratégias de marketing ou a ferramentas de administração adequadas.
“O objetivo é ser uma vitrine, um espaço para dar visibilidade para esses empreendedores”, disse hoje (23) à Agência Brasil, Hallison Paz, criador do aplicativo, ao lado de Kizzy Terra e Vitor Del Rey. Este último trabalhava como voluntário, em paralelo ao curso de ciências sociais na FGV, em uma clínica da própria fundação, que ajuda empreendedores de comunidades carentes a se formalizarem.
Ao notarem que havia muita deficiência de comunicação e conhecimento entre os empreendedores em coisas básicas, que os impediam de progredir em seus pequenos negócios, os estudantes decidiram criar o aplicativo, onde as pessoas possam ser divulgadas, sem ficarem restritas a uma página do Facebook  e a poucas “curtidas”, e ganhem mais visibilidade.
Hallison Paz disse que a ideia agora é fazer parcerias com núcleos da própria FGV e de outras universidades, como a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), que desenvolvem trabalhos de consultoria na parte de administração e finanças para empreendedores carentes.
Segundo Hallison, o Kilombu oferece, além do aplicativo, a parte de consultoria que será prestada por meio de parceiros para melhorar os negócios dos empreendedores negros. “A nossa intenção é melhorar o aplicativo cada vez mais e prover serviços para esses empreendedores”. Os anúncios dos negócios podem ser feitos gratuitamente no aplicativo.
Os criadores do Kilombu não descartam também a possibilidade de cobrar por algum tipo de anúncio adicional patrocinado por empresas, como fazem o Google e o Facebook, visando a captação de recursos para impulsionar a publicação, de modo a atingir um público maior.

Hallison Paz admitiu que o aplicativo é uma maneira de também valorizar o empreendedor negro na sociedade brasileira. Citou dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) que apontam que metade dos empreendedores brasileiros é negra. “E você não vê esses caras”, disse. Embora 50% dos empreendedores sejam negros, apenas 9% deles são empregadores. “Ou seja, têm algum negócio que vai crescer em algum momento para ter funcionários”. Em contrapartida, entre os brancos, 78% dos empreendedores são empregadores. “Então, 91% dos negros têm negócios pequenos, trabalham com a família ou sozinhos, e há muita gente na informalidade”.
Com o aplicativo, os estudantes incentivam o empreendedor negro a sair do anonimato, ter uma visibilidade maior e, em consequência, mais negócios. A versão do Kilombu para Apple já está sendo trabalhada e será lançada ainda este ano. Maiores informações podem ser obtidas neste endereço.


terça-feira, 22 de março de 2016


Comércio Justo é uma alternativa para comercialização de produtos com dificuldade de inserção no mercado convencional.

O que é

O Comércio Justo é um movimento internacional que procura gerar benefícios ao produtor. Entre os segmentos que encontram mais oportunidades no Comércio Justo, destacam-se produtos do agronegócio, artesanato e confecções, de comunidades, associações e cooperativas dos meios rural e urbano.

Surgido nos anos 1960, é um movimento internacional que procura gerar benefício a quem realmente produz. Trata-se de uma relação aberta entre produtores e consumidores que garante a divisão equilibrada dos ganhos, enfraquecendo a exploração por intermediários comerciais.
Constitui uma alternativa prática para a comercialização de produtos de segmentos que encontram dificuldades de inserção no mercado e comércio convencionais.

No cenário nacional, o Comércio Justo, também conhecido como "Comércio Ético e Solidário", é uma realidade recente e um conceito pouco conhecido da maior parte de produtores e consumidores. Essa modalidade de comércio é uma estratégia para promover a inclusão social e econômica de uma parcela expressiva de empreendedores brasileiros ainda à margem do mercado e, portanto, carentes de oportunidades.

A alternativa apresenta inúmeras oportunidades a serem exploradas pelos pequenos negócios brasileiros. A experiência com o Comércio Justo já deu certo em países em desenvolvimento: o México adotou uma marca própria de Comércio Justo para o café, alavancando o sistema para outros segmentos.
Em linhas gerais, o Comércio Justo, Ético e Solidário atribui grande parte da miséria, da devastação ambiental e da massificação cultural do planeta às relações comerciais injustas entre pessoas, empresas e nações.

Funcionamento

Os principais personagens do Comércio Justo no mercado internacional são os produtores, importadores, licenciados e as world shops.
Os importadores não só cuidam da importação e da distribuição dos produtos para as world shops, muitos mantêm lojas próprias ou sites e ajudam ativamente a promover todo o movimento.
Os licenciados são empresas que têm o direito de usar o selo de “Fair Trade” mediante o pagamento de licenças, concedidas pelas iniciativas nacionais (movimentos organizados que mantêm entidades de certificação e promovem as empresas e produtos) ou pela Fairtrade Labelling Organizations International (FLO).

As empresas podem ser especializadas em Comércio Justo ou atuar no comércio tradicional com marcas convencionais, incorporando itens com o selo de Comércio Justo a suas linhas.
O licenciado também dá apoio de marketing às lojas e paga ao importador. As certificações são realizadas pelas iniciativas nacionais existentes em 17 países, sendo 14 na Europa e as demais nos EUA, no Canadá e no Japão.
Criada em 1997, a FLO certifica os produtos vendidos em mais de um país e seus respectivos produtores, além de ser responsável pela harmonização dos critérios de certificação e da criação do selo internacional unificado. As iniciativas nacionais são a espinha dorsal do sistema e têm as seguintes atribuições: 
  • Receber recursos e dar apoio a seus associados;
  • Ajudar a definir os critérios internacionais de certificação de produtos e produtores, junto com a FLO;
  • Realizar ações e campanhas de educação de seus associados;
  • Conscientizar o público consumidor, além de realizar lobby junto a órgãos governamentais;
  • Prospectar licenciados para a fabricação de produtos e conceder as licenças de uso do selo de Fair Trade (Comércio Justo);
  • Oferecer apoio e orientação para o marketing das lojas.

Sebrae apoia

Num contexto econômico mundial, o Comércio Justo surge como alternativa viável para proporcionar aos pequenos empreendedores o acesso ao mercado em condições mais justas. O Sebrae atua nesse quadro com a missão de aumentar a contribuição dos pequenos negócios para a produção nacional e fortalecer a cultura do empreendedorismo e da cooperação.

Nos últimos anos, o Sebrae dedicou boa parte de suas atividades para ajudar as comunidades a identificarem suas vocações e potencialidades e, ainda, explorar as vantagens locais. Esse é um processo participativo, democrático e solidário. Esse trabalho envolveu os governos federal, estadual e municipal, além de entidades de classe, organizações não governamentais e lideranças comunitárias.

A iniciativa permitiu ao Sebrae conhecer a realidade de, aproximadamente, 1,7 mil pequenos municípios brasileiros. Esse conjunto de informações resultou em um planejamento para incentivar o empreendedorismo, apoiando negócios que gerem empregos ou ocupações produtivas e renda.

O papel e benefícios do Comércio Justo que justificam o apoio do Sebrae

Esses empreendimentos são realidade. Mas para que fiquem ainda mais consolidados, precisam de novos investimentos, principalmente na criação de melhores condições de troca.

Num contexto econômico mundial, o Comércio Justo surge como alternativa viável para proporcionar a esses pequenos empreendedores acesso ao mercado em condições mais justas.
Nos mercados nacional e internacional existem oportunidades concretas, tanto na procura quanto na oferta. Para os dois vértices há grandes potenciais de produtos e capacidade de produção, o que justifica o esforço do Sebrae nesse sentido.

Essa iniciativa se enquadra nos objetivos estratégicos do sistema Sebrae de aumentar a contribuição dos pequenos negócios para a produção nacional. Além de aumentar a participação dos pequenos negócios nos mercados interno e externo, o apoio do Sebrae fortalece a cultura do empreendedorismo e da cooperação.

Sendo assim, é importante ressaltar que o objetivo maior do Comércio Justo é garantir condições justas aos pequenos produtores, e não de ajuda humanitária assistencialista.
Para isso, é estabelecido o contato direto entre o produtor e o comprador. Essa relação tira o produtor da dependência de intermediários e de instabilidades do mercado global, ao mesmo tempo em que assegura ao comprador o papel de verdadeiro parceiro.

O resultado é uma remuneração justa e uma relação comercial estável, além de apoio técnico e financeiro quando for preciso, com benefícios das duas partes.
O Comércio Justo se propõe a ser uma alternativa concreta para o atual sistema de comércio global. Tem também como objetivo o desenvolvimento sustentável da comunidade de produtores, tanto no aspecto socioeconômico quanto no que diz respeito ao meio ambiente.


Conheça os princípios do “Fair Trade”, assim como as aplicações do termo e a certificação de produtos.

O Fair Trade (Comércio Justo) contribui para o desenvolvimento sustentável ao proporcionar melhores condições de troca e a garantia dos direitos para produtores e trabalhadores marginalizados. É uma alternativa concreta e viável frente ao sistema tradicional de comércio.

A International Federation of Alternative Trade (Federação Internacional de Comércio Alternativo) define o Comércio Justo (Fair Trade, em inglês) como uma parceria comercial, baseada em diálogo, transparência e respeito, que busca maior equidade no comércio internacional, contribuindo para o desenvolvimento sustentável por meio de melhores condições de troca e garantia dos direitos para produtores e trabalhadores à margem do mercado, principalmente no Hemisfério Sul.

Princípios de Fair Trade

O Fair Trade tem como objetivo principal estabelecer contato direto entre o produtor e o comprador, desburocratizando o comércio e poupando-os da dependência de atravessadores e das instabilidades do mercado global de commodities.

Os princípios que devem reger uma relação comercial considerada justa são:
  • 1.    Transparência e corresponsabilidade na gestão da cadeia produtiva e comercial;
  • 2.    Relação de longo prazo que ofereça treinamento e apoio aos produtores e acesso às informações do mercado;
  • 3.    Pagamento de preço justo no recebimento do produto, além de um bônus que deve beneficiar toda a comunidade, e de financiamento da produção ou do plantio, ou a antecipação do pagamento da safra, quando necessário;
  • 4.    Organização democrática dos produtores em cooperativas ou associações;
  • 5.    Respeito à legislação e às normas (por exemplo, trabalhistas) nacionais e internacionais;
  • 6.    O ambiente de trabalho deve ser seguro e as crianças devem frequentar a escola;
  • 7.    O meio ambiente deve ser respeitado.

Certificados

Produtos certificados – Selo Fair Trade

Os principais personagens do Comércio Justo no mercado internacional são os produtores, os importadores, os licenciados e as world shops, sendo que os importadores não cuidam somente da importação e da distribuição dos produtos para as world shops – muitos mantêm lojas próprias ou sites e ajudam ativamente a promover todo o movimento.

Os licenciados são empresas que têm o direito de usar o selo de Fair Trade mediante o pagamento de licenças, concedidas pelas iniciativas nacionais (movimentos organizados que mantêm entidades de certificação e promovem as empresas e produtos) ou pela Fairtrade Labelling Organizations International (FLO).

As empresas podem ser especializadas em Comércio Justo ou atuar no comércio tradicional com marcas convencionais, incorporando itens com o selo de Comércio Justo a suas linhas. O licenciado também dá apoio de marketing às lojas e paga o importador.

A gama de produtos certificados pela FLO inclui café, chá, arroz, cacau, mel, açúcar, frutas frescas e até produtos manufaturados, tais como bolas de futebol. Eles são vendidos em 18 países, com 70 a 90 mil pontos de venda convencionais.

Além dos produtos certificados pela FLO, são comercializados, em vários países, frutas secas, nozes e castanhas, produtos de confecção, flores e, principalmente, artesanato. As bananas movimentaram o maior volume de produto comercializado, com 62% do total em 2002, seguidas pelo café, com 27% – o maior valor econômico no varejo.

Perspectivas futuras

O Comércio Justo é uma alternativa concreta e viável frente ao sistema tradicional de comércio.
Ele recebe atenção dos governos em todos os países em que existem iniciativas nacionais (movimentos organizados que mantêm entidades de certificação e promovem as empresas e produtos), inclusive de organizações supranacionais, tais como a União Europeia e a Organização Mundial do Comércio.

A expectativa é que o mercado continue apresentando grande potencial de crescimento, com taxas de 20% a 25%.


Belo Horizonte








domingo, 20 de março de 2016

segunda-feira, 14 de março de 2016