segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016



Plataforma internacional de microcrédito solidário chega ao Brasil




Um camponês no Quênia precisa de uma moto para entregar seus produtos com mais rapidez. Uma viúva no Tajiquistão sustenta os cinco filhos vendendo sapatos e quer expandir o negócio. Uma mãe solteira no Paraguai busca meios de pagar a faculdade e o material didático. Em comum, eles têm uma realidade social dura e a determinação de melhorar de vida. E são exemplos dos milhões de pequenos - muito pequenos - empreendedores espalhados pelo mundo, que têm sobrevivido e crescido graças a empréstimos coletivos pela internet. Basta um clique para investir em um projeto e ter o dinheiro de volta alguns meses depois.
Esse modelo de financiamento vem revolucionando o microcrédito em países onde o crédito para pequenos negócios são escassos e com altos juros. Criada em 2005, a Organização Não-Governamental (ONG) Kiva  é uma dessas plataformas, e recentemente iniciou suas atividades no Brasil. Os empréstimos começaram em novembro e já beneficiaram 160 pessoas da região metropolitana de São Paulo, graças à parceria com a ONG Banco do Povo.
De acordo com o diretor executivo do Banco do Povo, Almir da Costa Pereira, a parceria com a Kiva é fundamental para massificar os empréstimos com potencial de inclusão social. "A demanda é grande, são muitos microempreendedores necessitados de créditos. E nesse período de crise, o juro encarece muito e fica mais restritivo. Em média, as taxas de juros no mercado brasileiro para o microcrédito (sem subsídio) variam de 2,5% a 4%. Os clientes do microcrédito do projeto no Kiva pagam 2% de juros.
A maioria dos clientes beneficiados faz parte de grupos solidários. "Nosso público preferencial é o de baixa renda, os mais pobres entre os pobres. Então usamos principalmente a metodologia de grupos solidários, com trabalho de microcrédito calcado na confiança entre as pessoas", explicou o representante da ONG, fundada em 1998. "Eles começam com operações pequenas, mas com apoio muitos crescem e aumentam as operações, ajudando a pagar o ingresso de outros que estão começando no banco. Alguns clientes viraram grandes empresários, mas o fundamental para nós é que as pessoas melhorem a qualidade de vida", destacou Pereira.
A quitandeira Thais Sobral da Silva é uma das clientes da Kiva
A quitandeira Thais Sobral da Silva é uma das clientes da KivaFlávia Rocha - Banco do Povo
Moradora da cidade paulista de Mauá, a quitandeira Thais Sobral da Silva, de 26 anos, é uma das clientes da Kiva. Com R$ 3 mil de empréstimo, por meio do grupo solidário do qual faz parte há cerca de dois anos, ela comprou mais mercadoria, uma balança e um moedor para a nova loja. "Somos cinco pessoas. Um se responsabiliza pelo outro. Pago uns R$ 300 por mês ao banco".
Thais vendia verduras e legumes desde os 13 anos e hoje tem duas quitandas no bairro Jardim Colúmbia, resultado dos empréstimos solidários. "Sempre quis ter meu próprio negócio. Soube do empréstimo solidário por uma amiga e me interessei". O negócio vai bem e ela já pensa em novo empréstimo. "Quero variar as mercadorias e dar uma renovada no meu sacolão".
Hoje ela conta com a ajuda do marido, da mãe, da irmã e do tio, mas Thais planeja crescer e contratar funcionários no futuro. "Me sinto muito feliz em estar nessa altura, nunca imaginava chegar aonde cheguei, não depender de ninguém, sendo minha própria chefe. E pretendo expandir mais", disse.
Presente em mais de 80 países, a ONG Kiva já financiou mais de 2 milhões projetos totalizando US$ 800 milhões. E a inadimplência em todo o mundo é mínima, menos de 2% dos clientes deixam de pagar o empréstimo. No caso do Banco do Povo, a inadimplência dos últimos cinco anos também têm estado nessa faixa.
Líder de um grupo solidário há cinco anos, Carmelita Leandro Vendas, de 56 anos, trabalha há 20 anos com vendas de roupas de cama, mesa e banho. Ela vai de porta em porta atrás da clientela. Com a Kiva e o Banco do Povo, pegou emprestado R$ 3 mil para comprar mercadoria, cujo valor deverá quitar quinzenalmente durante dez meses. "Sempre tem algum calote, mas a gente corre atrás e consegue pagar. Nunca atrasamos. Uma ajuda a outra, quando tem alguma dificuldade", disse, acrescentando, "sou sacoleira e trabalho em casa. Gosto do que faço. Posso até abrir uma loja, mas não gosto de ficar parada, esperando o cliente vir. Prefiro ficar livre, poder viajar quando quero".
A representante da Kiva Katleen Bennetto atribui o sucesso da plataforma aos "investidores sociais", que recebem 0% de juros e não têm incentivo financeiro na ação. "O que os motiva é o impacto em potencial que seu capital flexível, tolerante ao risco, terá sobre as vidas dos mutuários", explicou. Outro fator importante é o capital a 0% de juros aos parceiros que possibilita produtos de crédito de maior risco, custos mais altos ou em fase de pesquisa e desenvolvimento.
Dados do Sebrae revelam que em 2015 somente 16% do total de microempreendedores individuais (MEI) solicitaram empréstimo na forma de microcrédito produtivo e orientado. Desse total, apenas 9% tiveram êxito na solicitação. Para ser formalizado como microempreendedor individual é preciso ter um faturamento até R$ 60 mil por ano e ter no máximo um funcionário, que ganhe até um salário mínimo. O teto do microcrédito no Brasil é de R$ 15 mil.
O Brasil têm mais de 9 milhões de microempreendedores, sendo 5,6 milhões empresários cadastrados na categoria de microempreendedor individual. Destes, 77% querem crescer e se tornar micro ou pequena empresa. Entretanto, menos da metade (45%) tem relacionamento com bancos como pessoa jurídica. "Cerca de 80% utilizam financiamento que não passa por instituições financeiras, como negociação com fornecedores e cheque pré-datado", explicou. "Nos últimos cinco anos, apenas 40% dos empreendedores individuais obtiveram empréstimo em bancos. Isso mostra que existe espaço enorme de crédito para os microempreendedores individuais. E os empreendedores fogem dos bancos por causa das altíssimas taxas de juros", comentou Afif.
Os MEI são os que proporcionalmente mais fizeram empréstimos bancários em nome da pessoa física nos últimos cinco anos: 46%, em comparação aos 17% dos microempresários e 8% dos empresários de pequeno porte. "Como essa pesquisa foi inédita, não temos dados para comparar se há um crescimento ou redução da inserção dos MEI na solicitação de microcrédito", disse Afif, ao ressaltar que apesar disso está claro que há um potencial a ser explorado. "Esses dados mostram que o MEI frequentemente mistura contas pessoais com as da empresa e optam por pedir empréstimo pessoal em vez de para sua pessoa jurídica, porque as exigências de garantias são menores".
Em toda a América Latina, a Kiva tem 72 parceiros locais. Na América do Sul, a plataforma atua no Peru, Equador, na Colômbia, Bolívia, no Paraguai, Suriname e no Chile. A região já recebeu investimentos da ordem de US$ 230 milhões, nos últimos dez anos. Cerca de 45% deste total foram destinados a comerciantes e serviços alimentícios, e 19% a agricultores. Aproximadamente 8% dos empréstimos foram para habitação, saúde e educação.
"O Brasil tem sido um país particularmente desafiador no contexto sul-americano, devido a um sistema de regulamentação bancária mais complexo, mas estamos convencidos do impacto que a Kiva pode ter e estamos determinados expandir nosso portfólio no Brasil", declarou a representante da Kiva. "Agora estamos buscando futuros parceiros mais focados no microcrédito rural para populações mais vulneráveis e excluídas do país".
No futuro, a ONG estuda implementar um novo modelo, usado nos Estados Unidos, que dispensa parcerias locais. Nele, o empreendedor faz o pedido de empréstimo diretamente com a Kiva. Se aprovado o pedido, ele tem 15 dias para conseguir que pelo menos 25 amigos, familiares ou conhecidos ajudem com o empréstimo. Se atingir a meta, o candidato entra na lista pública da ONG, que tem juro zero. "Mas no curto e médio prazo o acesso aos empréstimos da Kiva no Brasil será somente por parceria local", explicou.
Na opinião do representante do Banco do Povo, investir nos microempreendedores no momento atual é ainda mais vital para superar a crise. "É investimento direto em pessoas que trabalham por conta própria e fazem a economia girar. Não é recurso a fundo perdido, é um objetivo real, sem especulação".
Leia mais em: http://zip.net/bwsXmq

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Reunião mensal do FCP/RJ, 23/02/16 e eleição da nova secretaria executiva para 2016 a 2018









































segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016




Andorinhas é o nome da loja de artesanato que vai ser inaugurada em Belém no dia 5 de março deste ano. O espaço é reservado para artesãos de todo o Estado do Pará que buscam um lugar tanto para vender quanto para divulgar seus produtos. A loja fica localizada na travessa 14 de Março, entre as ruas Oliveira Belo e Diogo Móia.
O diferencial dessa loja é que os produtos vendidos fazem parte da prática da economia solidária. Mas o que é isso? É uma economia na qual não existe a relação de patrão-empregado, os lucros dos produtos vendidos são repassados diretamente para quem produziu, sendo essas pessoas artesãos e agricultores, sem a presença de um intermediário. Os artigos são feitos manualmente e de forma que não agrida o meio ambiente e, além disso, é necessário que os vendedores tenham uma proposta social de qualidade de vida.
Um cadastramento prévio com as pessoas que tiveram interesse em vender seus produtos na loja foi realizado nesta terça-feira (16). Para a montagem da Andorinhas, uma parceria entre a Rede de Economia Solidária e Designers foi feita. “Para nós é um prazer ter uma parceria como essa, é muito rico e só estou aprendendo com esse grupo. Estamos acreditando que teremos um resultado satisfatório. Tanto a rede quanto os participantes da rede estarão aprendendo com essa experiência”, disse Bertolina Silva, estudante do curso de Economia Solidária, que ajudou na realização do cadastro dos produtos que serão vendidos na loja. “Os artesãos mesmo dizem que é a primeira vez que, além de ver que alguém se importa em comercializar, tem alguém que oriente para que eles façam da melhor forma, pra que tenham o melhor resultado”, ressaltou.
Segundo Ligia Braim, uma das designers, na maioria das vezes o artesão ou o produtor rural precisa de um olhar profissional para que o seu produto seja inserido da melhor forma no mercado. “Ele entende muito da técnica, mas às vezes falta um olhar mercadológico de acabamento, ou de material, um posicionamento de nicho de mercado. Várias questões que a gente pode contribuir e abrir o campo para os pequenos empresários”, falou.
Conceição é uma das artesãs que terá seus produtos à venda. Além dela, muitas pessoas que fazem parte do grupo de artesãos da cidade de Bragança enviaram seus artefatos. Maria de Lourdes Rodrigues, que também é artesã e mora na cidade de Belém, levou produtos como um boneco de Santo Antônio, boneca de pano, ímã de geladeira em forma de picolezinho, pregadores de roupas com enfeites de galinhas e arranjo para centro de mesa com flores. “Fico ouvindo música, vendo televisão, é gostoso de fazer. Adoro trabalhar com artesanato. Às vezes trabalho até quatro, cinco da manhã. Me dá prazer. Faço com amor”, disse entusiasmada.
De acordo com Maria de Lourdes, uma das coisas que lhe motivaram a levar seus objetos foi enxergar a loja como meio de divulgação do seu trabalho.  “Nós, artesãos, se não tivermos nosso espaço, nossa comunidade para trabalhar em conjunto, é difícil. Eu trabalho há mais de dez anos, e falo isso pela minha dificuldade. Tenho um pequenino espaço na minha casa que chamo de ateliê, é lá que eu trabalho e também vendo. Participo de feiras quando tem, isso para mim vai ser uma grande oportunidade, para expor, divulgar. As pessoas vão conhecer ainda mais o teu trabalho”, afirmou.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Reforma trabalhista é aprovada no Senado; confira o que muda na lei As alterações mexem em pontos como férias, jornada de trabalho, remun...