quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Economia  solidária  é  alternativa  de   renda para famílias do sul e sc


A associação das Mulheres do Mirasol mudou a vida de centenas de famílias do
 Balneário Rincão, no Sul de Santa Catarina. Com retalhos de tecido, as mulheres produzem a estopa, uma espécie de pano de limpeza usado principalmente por oficinas mecânicas e postos de combustíveis. O trabalho na associação garante emprego e renda para 42 famílias do bairro.
A associação das Mulheres do Mirasol mudou a vida de centenas de famílias do Balneário Rincão, no Sul de Santa Catarina. Com retalhos de tecido, as mulheres produzem a estopa, uma espécie de pano de limpeza usado principalmente por oficinas mecânicas e postos de combustíveis. O trabalho na associação garante emprego e renda para 42 famílias do bairro.
As costureiras ficam com 30% do lucro e o restante vai para quem compra o tecido e monta as estopas. Catarina Correa, de 49 anos, começou trabalhando com reciclagem, mas, atualmente, a renda da família vem do trabalho da associação. “Com o que eu ganho aqui pago a minha luz e outras despesas e ainda sobra um dinheirinho para a comida. Eu dependo dessa renda”, diz a costureira.
A Associação foi fundada há 27 anos. Quando começou o trabalho voluntário, a presidente da entidade, Maria Albertina Silvino da Silva, não sabia que o projeto transformaria a vida de mais de 600 famílias. “Aqui umas costuram, outras montam. Elas também passam trabalho uma para outra. No final, todas saem ganhando. Economia solidária é isso, dividir e pensar no bem comum”, ressalta Albertina.
Para ajudar outras associações e cooperativas, a Unesc de Criciúma criou o Paes, Programa de Economia Solidária. Técnicos e professora dão assistência e assessoria e ainda realizam às quartas-feiras uma feira para o grupo vender os produtos. “Muitas vezes, a pessoa desenvolve um bom trabalho, mas não sabe como fazer pra ganhar dinheiro com ele. Nós ajudamos a transformar estas ideias e fonte de renda. As cooperativas e associações são a melhor maneira pra isso acontece”, ressalta a professora Patrícia Martins Goulart.
Nesta semana, cooperativas e associações estão expondo seus produtos na Feira da Semana de Ciência e tecnologia da Universidade. No Brasil, segundo a Secretaria Nacional de Economia Solidária, essa atividade gera renda para mais de 2 milhões de pessoas.
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terça-feira, 29 de outubro de 2013


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Túnel mais fundo do mundo planejado  há 150 anos é inaugurado na Turquia

Andréia Lago, da Agência Estado
ISTAMBUL - A Turquia nesta terça-feira, 29, um túnel que era um sonho de muitos governantes do país desde que um sultão otomano propôs uma passagem sob a água em 1860, ligando o território europeu ao asiático em Istambul como parte de uma aposta para transformar a cidade num centro
Internacional.

Com 62 metros abaixo da superfície e investimento de 5,5 bilhões de liras (US$ 2,77 bilhões), o projeto Marmary que atravessa o Estreito do Bósforo é o túnel ferroviário submerso mais profundo do mundo, permitindo a travessia de trens de carga e de passageiros, além do metrô.

A ferrovia, que foi atrasada em quatro anos à medida que as escavações encontraram artefatos de oito mil anos, vai transportar até 1,5 milhão de passageiros por dia entre a Europa e a Ásia numa viagem de apenas quatro minutos, reduzindo o congestionamento crônico no tráfego de Istambul, de acordo com estimativas do governo turco. 
Investimento. A conclusão do túnel, construído por um consórcio de empresas japonesas e turcas, liderado pela Taisei e financiado a uma taxa de juros de 0,75% pela Agência de Cooperação Internacional do Japão, vem sendo saudado pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento, do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, como o mais recente de uma série de projetos de infraestrutura de larga escala que se tornaram a marca da história de sucesso do governo, que está há dez anos no poder.

Ao inaugurar o que chamou de "projeto do século" no 90º aniversário da República Turca, o governo também apresentou suas credenciais para a campanha eleitoral do próximo ano.

Como parte do esforço para estabelecer a Turquia como uma força regional, as autoridades apresentam o túnel como a ligação que conecta Pequim a Londres, tornando a obra crucial não apenas para Istambul como também para a humanidade.

 "Hoje, com este grande projeto, estamos enriquecendo nossa república e também fornecendo o que uma república democrática pode conquistar com estabilidade, confiança, irmandade e solidariedade.

Infraestrutura. Marmaray está unindo pessoas, nações, países e até mesmo continentes", disse Erdogan às autoridades presentes à inauguração, como o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e aos milhares de turcos que saudavam o líder local em Uskudar, a primeira parada do túnel no lado asiático.

O impulso desenvolvimentista do governo gerou um boom na infraestrutura e construção que ajudou Erdogan a triplicar o tamanho da economia da Turquia desde que seu partido assumiu o poder, em 2002, para US$ 786 bilhões.

Agora, o premiê turco pretende repetir o feito e elevar o PIB do país para US$ 2 trilhões, transformando a Turquia numa das dez maiores economias do mundo quando a república completar 100 anos, em 2023.

São esperados mais de US$ 400 bilhões em novos enormes projetos de infraestrutura para ajudar a ancorar o crescimento do PIB da Turquia ao longo da próxima década.
  
Planos. 
As ambições do governo incluem um dos maiores aeroportos do mundo para estabelecer Istambul como uma conexão internacional, um canal ao longo do lado europeu da cidade que conecte o Mar Negro ao Mar de Mármara para navegação comercial, três usinas nucleares e um projeto de renovação urbana para proteger a cidade contra terremotos.

Analistas alertam que pressões financeiras e políticas crescentes poderão prejudicar a capacidade do governo financiar tais projetos, com a economia desacelerando e um número cada vez maior de riscos ao cenário.

 "Será muito difícil levantar financiamento internacional", disse Nigel Rendell, economista da Medley Global Advisors em Londres. A dificuldade, segundo ele, deve-se em parte à provável remoção dos estímulos à economia dos EUA pelo Federal Reserve no próximo ano.

A liquidez do Fed, diz o economista, ajudou a alimentar o crescimento nas economias em desenvolvimento, como a Turquia. Além disso, acrescenta Rendell, "e mais importante, a confiança das pessoas na Turquia foi atingida pelos protestos ao longo do verão, quando Erdogan foi visto como um líder autocrata pela comunidade internacional".

Em setembro, os bancos turcos assumiram o financiamento de US$ 2,3 bilhões para construção da terceira ponte no Estreito do Bósforo, diante da falta de financiadores internacionais. O governo, por sua vez, teve de reduzir o tamanho do projeto após fracassar nas ofertas pelo projeto, que era inicialmente estimado em US$ 6 bilhões. 
Financiamento. Ainda assim, autoridades descartam visões de que a Turquia vai ter dificuldades para levantar cerca de US$ 300 bilhões em dívida para bancar seus projetos de infraestrutura. "Não haverá qualquer dificuldade de financiamento", garantiu o ministro dos Transportes, Binali Yildirim.

"Devido às circunstâncias globais, todos estão em busca de países estáveis para investir, como a Turquia. Em todos os lugares há uma crise econômica ou uma guerra, mas nós temos estabilidade econômica e crescimento. Se os organismos internacionais não quiserem emprestar à Turquia, elas poderão muito bem manter seus recursos em caixa", desdenhou.

Implementar os projetos será crítico para o premiê Erdogan à medida que as eleições se aproximam.

Os arranha-céus que proliferam e agora são uma marca no horizonte de Istambul, os projetos de estradas que viram autoestradas quadruplicarem na última década e os resplandecentes shopping centers que são uma testemunha de uma demanda insaciável dos consumidores ajudaram a transformar a vida na Turquia.

Como resultado, o apoio a Erdogan subiu a 50% nas eleições gerais de 2011, de 34% em 2002. Com o túnel Marmaray, Erdogan pretende fazer mais do que meramente conectar os dois lados de Istambul, onde o premiê já foi prefeito: ele também quer consolidar sua liderança ao atrelar a si próprio aos antepassados otomanos da Turquia e lançar as bases para a prosperidade do país no futuro.

"A velha ordem já era, estamos entrando numa nova era", disse um maquinista de 40 anos, Erhan Buran, que conduziu o trem que transportou o ministro
Yildirim e a imprensa até o lado asiático de Istambul no último domingo. "Eu não poderia nem sonhar com um túnel como esse, e agora ele tornou-se real". Com Dow Jones Newswires
  

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Mendigo deveria virar ração para peixe’, diz vereador de Piraí ao defender projeto que proíbe voto a moradores de rua



“Mendigo deveria até virar ração para peixe”. A declaração, dada na Câmara Municipal de Piraí, no Sul Fluminense, pelo vereador José Paulo Carvalho de Oliveira, o Russo (PT do B), na sessão ordinária de 8 de outubro deste ano, virou o assunto da cidade desde a última sexta-feira, quando um vídeo com o discurso foi postado no Youtube. O vereador opinava sobre o voto a moradores de rua.
- Mendigo não tem que votar. Mendigo não faz nada. Ele não tem que tomar atitude nenhuma. Aliás, acho que deveria até virar ração para peixe. Eu não dou nada para mendigo. Não adianta me pedir que eu não dou. Se quiser, vai trabalhar - discursou.
Wilden Vieira da Silva, o Prico (PSD), presidente da Câmara estava na sessão e ouviu o discurso. Ele confirmou as declarações e disse que pretende se reunir com todos os moradores até esta terça para decidir que medidas tomará em relação a Russo. Para Prico, a declaração polêmica não fere a imagem da Casa:
- Foi a opinião pessoal dele, que não feria em nada a imagem da Câmara. Ele fala em nome dele. Foi um fato isolado.
Segundo ele, a declaração de Russo foi logo após a declaração de um outro vereador que fez considerações sobre os 25 anos da Constituição Federal.
Moradores estariam se mobilizando para fazer uma manifestação de repúdio em frente à Câmara, nesta terça-feira (29).
Prefeito foi alertado pelo vice
O prefeito Luiz Antônio da Silva Neves (PSB) só ficou sabendo das declarações após a divulgação do vídeo, ao ser alertado pelo vice-prefeito da cidade.
- Fiquei sabendo porque o vice-prefeito comentou que viu a repercussão através do Facebook. Achei lamentável, porque trata-se de uma questão que deveria ser sensível a todos nós. Não é admissível uma declaração dessas de um representante político. Espero que ele se retrate - disse.
O prefeito disse, inclusive, que foi abordado por moradores nas ruas nos últimos dias. No sábado, por exemplo, contou que um homem o abordou para comentar o assunto enquanto ele fazia compras no mercado. Neste domingo, as declarações do vereador Russo foram o assunto de uma festa de aniversário.
- Creio que vai ser o assunto da semana agora que ganhou as redes sociais. Ainda mais por ter acontecido numa cidade pequena - prevê o prefeito.


Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/rio/mendigo-deveria-virar-racao-para-peixe-diz-vereador-de-pirai-ao-defender-projeto-que-proibe-voto-moradores-de-rua-10561076.html#ixzz2j3WSIqvT

segunda-feira, 21 de outubro de 2013


733 comentários
O consórcio formado pelas empresas Petrobras, Shell, Total, CNPC e CNOOC arrematou nesta segunda-feira (21) o campo de Libra e foi o vencedor do primeiro leilão do pré-sal sob o regime de partilha – em que parte do petróleo extraído fica com a União.
Único a apresentar proposta, contrariando previsões do governo, o consórcio ofereceu repassar à União 41,65% do excedente em óleo extraído do campo – percentual mínimo fixado pelo governo no edital.
Nesse leilão, vencia quem oferecesse ao governo a maior fatia de óleo – o regime se chama partilha porque as empresas repartem a produção com a União.
O consórcio vencedor também terá que pagar à União um bônus de assinatura do contrato de concessão no valor de R$ 15 bilhões. Segundo a Agência Nacional do Petróleo(ANP), esse valor deve ser pago de uma vez. O pagamento tem que estar depositado para que o contrato seja assinado – o que a Magda Chambriard, diretora geral da agência, previu que aconteça em cerca de 30 dias. A Petrobras deverá arcar com 40% desse pagamento.
A Petrobras terá a maior participação no consórcio vencedor, de 40%. Isso porque, embora a proposta aponte uma fatia de 10% para a estatal, a empresa tem direito, pelas regras do edital, a outros 30%. A francesa Total e a Shell terão, cada uma, 20%. Já as chinesas CNPC e CNOOC terão 10% cada.
'Sucesso'
Apesar da proposta única, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, adotaram um discurso otimista nas respostas aos jornalistas que os questionaram sobre o resultado do leilão, diferente da previsão do governo.
“O que aconteceu foi um sucesso absoluto, onde Libra vai ter resultado da ordem de trilhão de reais ao longo de 35 anos [para o governo]. Ninguém pode ficar triste com isso”, disse Chambriard. "Houve competição e o resultado não poderia ter sido melhor".
“Não houve nenhuma frustração, na medida que temos um bônus de assinatura que é considerável [R$ 15 bilhões, que será pago pelas vencedoras, inclusive a Petrobras] e o mínimo de 41,65% de excedente de óleo. Portanto, nenhuma frustração”, disse Lobão.
A diretora-geral da ANP apontou que as empresas que formam o consórcio estão entre as maiores do setor de energia no mundo. Ela disse ainda que, somados os ganhos com o bônus de assinatura, a partilha do óleo, o retorno da participação na Petrobras e o pagamento de royalties pelas concessionárias, entre outros, a União deve ficar com o equivalente a cerca de 80% do óleo extraído de Libra.
Sobre a desistência de grandes petroleiras do leilão, Magda disse que a BP procurou a ANP e mostrou interesse em participar da exploração do campo de Libra, mas a empresa ficou com receio devido aos prejuízos que teve com o desastre ambiental no Golfo do México.
A previsão inicial da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíves (ANP) era que até 40 empresas poderiam participar do leilão de Libra – gigantes do setor como as norte-americanas Exxon Mobil e Chevron e as britânicas BP e BG nem chegaram a se inscrever.
No dia 10 de outubro, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que esperava entre dois e quatro consórcios na disputa, envolvendo as 11 empresas habilitadas.
Total e Shell surpreenderam
Analistas ouvidos pelo G1 afirmam que a entrada das empresas Total e Shell no consórcio vencedor surpreendeu. Isso porque o regime de partilha é visto por eles como desvantajoso para as empresas participantes.
“Já era esperado que teria só um consórcio e que a Petrobras entraria. Eu acho que a única surpresa é a Shell e a Total terem entrado, porque num  primeiro momento as pessoas achavam que elas não entrariam”, disse o ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) David Zylbersztajn.
“É um modelo que nunca vai permitir competição. O fato de ter sido ofertado o mínimo [de 41,65% do óleo produzido] também não é surpresa, porque o modelo não ocorre a competição e vai dar sempre o mínimo desse jeito”.
O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, também disse, em entrevista à Globonews, ter ficado surpreso com a entrada das duas empresas no consórcio. Ele também avaliou que o fato de ter apenas uma proposta é ruim para o Brasil.
"Era esperado o passe mínimo. Quando não tem concorrente, você dá uma oferta mínima, porque teria a certeza que não haveria concorrente, o que é ruim para o país. Se tivesse concorrente, teria um excedente para a união maior do que 41,65%".
Outro fato que surpreendeu no resultado do leilão foi a pequena participação das estatais chinesas. CNPC e CNOOC terão 10% do consórcio cada. Analistas do setor acreditavam que as empresas asiáticas liderariam a rodada, devido à grande necessidade de petróleo na China, que é um dos maiores consumidores mundiais.
Lobão se disse “honrado” com a chegada das duas empresas chinesas no mercado de petróleo do Brasil. E afirmou que o governo brasileiro é a favor do investimento estrangeiro no país. “Nada temos contra as corporações internacionais, temos tudo a favor. Elas não são o mal, são o bem”, disse Lobão.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster; a diretora-geral da ANP, Magda Chambriand; e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, sobem ao palco ao lado de representantes das empresas que integram o consórcio vencedor (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil)
O campo de Libra
A exploração do campo de Libra, leiloado nesta segunda-feira, deve dobrar as reservas nacionais de petróleo, de acordo com a ANP. A agência estima que o volume de óleo recuperável na exploração de Libra seja de 8 bilhões a 12 bilhões de barris – as reservas nacionais são hoje de 15,3 bilhões de barris.
As reservas de gás somam atualmente 459,3 bilhões de metros cúbicos e também devem duplicar com Libra.
O campo de Libra fica na chamada Bacia de Santos, a cerca de 170 quilômetros do litoral do estado do Rio de Janeiro. A sua área é de cerca de 1.500 quilômetros quadrados. De acordo com o governo, é a maior área para exploração de petróleo do mundo.
A estimativa é que Libra chegue a produzir 1,4 milhão de barris por dia, quase cinco vezes a produção do campo de Marlim Sul, que hoje ocupa a liderança no Brasil com 284 mil barris diários. Segundo a ANP, o maior campo do mundo, de Ghawar Field, na Arábia Saudita, tem de 75 bilhões a 83 bilhões de barris recuperáveis e produção média diária de 5 milhões de barris.
Mapa mostra áreas do pré-sal - Libra (Foto: Editoria de Arte/G1)Mapa mostra áreas do pré-sal (Foto: Editoria de Arte/G1)
O óleo presente no campo de Libra é do tipo leve, que tem maior valor de mercado.
A ANP estima que, entre 2013 e 2016, sejam investidos cerca de R$ 400 bilhões no setor de petróleo e gás no país – boa parte desse valor vai ser demandada pela exploração de Libra, com a compra de bens e serviços.
Segundo especialistas, o início da produção pode levar de 5 a 10 anos, a depender da geologia do local e dos investimentos feitos pela empresa vencedora. O pico da produção pode levar 15 anos para ser atingido.
As empresas
Sobre o modelo de partilha, o presidente da Shell do Brasil, André Araujo, disse que já conhece as condições do contrato há bastante tempo e não é uma surpresa que vem hoje para eles. "Com a experiência que nós temos em exploração de águas profundas a gente via poder contribuir com esse consórcio e a gente sabe que é do interesse de todo mundo que faz parte desee consórcio que ele seja bem sucedido".
Ele não quis comentar a estratégia do consórcio." Eu estou muito satisfeito porque ele se compõe da empresa líder em exploração em águas profundas. Estamos satisfeitos porque a Petrobras teve 10% e mostra o interessa da Petrobras dentro do projeto. Nós temos outras companhias que têm experiência internacional em exploração de águas profundas e isso faz com que o consórcio tenha um bom desenho".
Novo leilão
O ministro de Minas e Energia disse que o governo não estuda, no momento, qualquer alteração no modelo de partilha para futuros leilões do pré-sal. Ele admitiu, porém, que os “ajustes” são normais.
“Claro que, se no futuro chegarmos à conclusão de que alguma coisa deve ser arrumada, faremos. Mas, no momento, não vemos nenhuma necessidade”, disse.
Ele informou que um novo leilão para exploração de bloco no pré-sal não deve ocorrer antes de 2015. Entretanto, disse que o governo pode fazer no ano que vem uma nova rodada para exploração no pós-sal, com regime de convenção antigo (empresa que vence fica com o óleo e paga ao governo apenas royalties, participação especial e impostos).
A diretora-geral da ANP disse que não se sente “confortável” em recomendar ao governo que faça novo leilão de área no pré-sal nos próximos dois anos.
“Temos uma área [Libra] que vai exigir mais de uma centena de bilhão de reais [em investimento] para o seu desenvolvimento. É um investimento muito grande, a quantidade de bens necessários para Libra é imenso”, disse Chambriard. “Não me sentiria capaz hoje de sugerir ao governo federal um novo leilão no ano que vem”, completou.
Na Justiça
Embora o consórcio formado pela Petrobras, Total, Shell, CNOOC e CNPC tenha sido proclamado vencedor, os efeitos do resultado do leilão ainda podem ser suspensos pela Justiça Federal. Isso porque todas as 26 ações judiciais que questionam a realização do leilão terão de ser analisadas novamente na ocasião do julgamento do mérito dos processos.
Em um primeiro momento, os magistrados apreciaram, desde a semana passada, somente os pedidos de liminar (decisão provisória). Desses 26 pedidos, 18 foram rejeitados e outros oito não tinham sido analisados até a última atualização desta reportagem.
Protestos
O leilão, realizado no hotel Windsor, no Rio de Janeiro, foi marcado ainda pelos protestos do lado de fora e que deixaram pelo menos cinco pessoas feridas. Para conter os manifestantes, homens da Força Nacional de Segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.
Para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, não houve deslizes na atuação das forças de segurança. "Foi tudo muito bem feito. Eu acho que mostrou um padrão de excelência na segurança do evento tão importante na história do país."
O ministro disse ainda que não tem informação de uma situação que tenha ultrapassado as regras e os padrōes. "A Força Nacional atuou na praia quando houve necessidade. Os manifestantes não passaram sequer da primeira barreira de contenção."
Sobre os protestos, Lobão disse que o Brasil é um país democrático e que as pessoas têm direito de se manifestar, mas que o governo precisa fazer o seu trabalho.
“Isso [os protestos] não nos impede de cumprir o nosso dever com o povo brasileiro. Eles [manifestantes] falam, e nós trabalhamos e cumprimos a nossa parte”, disse o ministro.
Chambriard disse que as entidades envolvidas com os protestos tiveram oportunidade de se manifestar durante as audiências públicas que debateram o leilão.

Alívio’, diz analista sobre leilão de Libra

seg, 21/10/13
por Thais Herédia |
categoria economia
Perguntei a um executivo do mercado de ações no Brasil: Por que as ações da Petrobras estão subindo depois do leilão do Campo de Libra?
“Alívio. Se não aparecesse ninguém e a Petrobras resolvesse entrar sozinha nesse investimento, quem sabe o que seria dela”, resumiu o operador que não quis se identificar ouvido pela coluna.
Um analista de ações de um grande fundo de investimentos concorda com a avaliação do colega de mercado.
“A expectativa sobre o leilão foi surpreendida positivamente. O mercado está interpretando que as características para oferta feita pelo consórcio vencedor foi feita de forma técnica. Parece que a turma lá fez conta e isso é bem visto”, disse o executivo com larga experiência no mercado de ações.
Depois de tanto suspense, conflitos, idas e vindas com as regras das concessões, a derrocada do Grupo X, de Eike Batista, protestos nas ruas e muita especulação, o governo de Dilma Rousseff entrega à iniciativa privada a exploração de um dos maiores campos de petróleo do mundo – o pré-sal.
Durante o fim de semana, surgiram informações de que os chineses estavam vindo com força total para liderar o consórcio e se posicionar estrategicamente nesse lado do mundo, explorando petróleo. O anúncio dos vencedores revelou que a divisão do bolo entre as empresas do grupo não deu tanto poder assim às estatais da China.
A Petrobras terá a maior participação no grupo, de 40%. São os 30% que ela já tinha garantidos mais 10%. A francesa Total e a anglo-holandesa Shell terão, cada uma, 20%. Já as chinesas CNPC e CNOOC terão 10% cada.
O peso maior das duas companhias europeias também soaram como música no ouvido dos investidores. Para o banco Credit Suisse, a composição do consórcio melhora a percepção sobre os investimentos.
“Pontos positivos: a oferta ter sido pela taxa mínima exigida (de 41,65%), a presença da Shell e Total dá credibilidade (ao grupo) e a participação da Petrobras de 40% não é excessiva”, diz um relatório com análise sobre o leilão enviado aos clientes do banco CS.
Na avaliação do executivo ouvido pelo blog, “não ter o grupo dominado pelas chinesas é positivo porque dentro do consórcio você assegura que as decisões serão tomadas do ponto de vista econômico e não geopolítico”, avalia.
A não participação das grandes petrolíferas do planeta deu um recado ao Brasil: “O recado foi: o Brasil foi guloso e quem aceitou (participar) é porque confia na Petrobras, ainda bem!”, segundo analista consultado pelo blog.

Leilão de Libra pode criar marca ‘Made in Brasil, by China’

seg, 21/10/13
por Thais Herédia |
Num cenário já visto antes na história deste país, o governo de Dilma Rousseff dará a maior cartada de seu mandato para atrair investimentos para o Brasil. O campo de Libra, que será leiloado nesta segunda-feira (21) é o ativo mais rico e mais importante que o Brasil já dispôs e ofereceu à iniciativa privada – o pré-sal!
No biênio 1997-98, o governo FHC privatizou a Cia Vale do Rio Doce, o monopólio estatal da Telebras e a Eletropaulo (principais operações). Foi uma briga danada. Dezenas de liminares e muitos protestos durante os leilões marcaram a administração de Fernando Henrique como “privatizadora”.
Superadas as barreiras ideológicas (e psicológicas), a presidente Dilma inaugura a temporada de exploração privada do maior tesouro nacional dos últimos tempos. Todos os números de Libra impressionam: R$ 150 bilhões em investimentos; 8 a 12 bilhões de barris de petróleo; construção de pelo menos 10 novas plataformas de exploração; 1500 km² de extensão e a lista segue.
Do campo das especulações vêm muitas informações e apostas sobre a realização do leilão. Ninguém tem um motivo claro para explicar a debandada das grandes petrolíferas do mundo na disputa. A análise mais comum identificou o grau de intervenção do governo como justificativa. O peso das estatais da China na disputa também chama atenção.
Com ajuda dos chineses ou não, a Petrobras está levantando os cabelos dos investidores quando eles veem a lista de “tarefas” da grande operadora do campo de Libra. Algumas de suas atribuições: a operadora providencia os recursos humanos e materiais para a execução das atividades. Deve, por exemplo, viabilizar a utilização de novas tecnologias e implementar as contratações necessárias à execução das operações.
Serão pelo menos 5 anos de obras, megaobras! O petróleo “pessoalmente” só deve aparecer para o mundo a partir de 2019. A Petrobras já está emaranhada com seus próprios cabos e conexões para fechar o caixa no azul este ano. A gestão das finanças da companhia acabou de levar um rebaixamento por uma agencia de classificação de risco.
O ideal é que o vencedor seja aquele que tenha muito dinheiro, muita confiança no Brasil e disposição à beça para enfrentar os desafios que aquela espessa camada de sal oferece para entregar seu tesouro. Além das “camadas” que o Brasil tem na superfície… Fontes ouvidas por “O Globo” afirmam que apenas um consórcio – liderado pelos chineses – vá participar do leilão. Se eles forem mesmo os vencedores, teremos uma nova marca no mercado: “made in Brazil, by China”.

O crescimento da China e o dilema do Brasil

sex, 18/10/13
por Thais Herédia |
Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. A economia chinesa desceu das alturas mas escapou de um “pouso forçado”. Essa expressão é utilizada por economistas para apontar uma queda mais intensa da atividade de um país. Ao crescer 7,8% no terceiro trimestre, o gigante mostra que o pouso está mais para “suave” e traz algum alento para o mundo.
Enquanto eles respiram com algum alívio, o Brasil segue emperrado no dilema do equilíbrio entre os juros e a inflação. A repetição desse tema no debate sobre a economia brasileira revela que o país ainda não se livrou da ameaça dos males que uma inflação mais alta pode causar.
Agora mesmo saiu o resultado do IPCA-15 de outubro, uma prévia do que será a inflação do mês – alta de 0,48%, segundo IBGE. Esse número veio acima do esperado, mas tudo bem. A questão é que, para combater essa inflação, o Banco Central ainda não encontrou a taxa de juros mais eficaz. E não é fácil esse trabalho, não é não.
A análise feita pelo próprio BC na ata do Copom divulgada nesta quinta-feira (17), reconhece que a inflação brasileira “ainda” é resistente, e teme os “danos que a persistência desse processo” podem causar na confiança sobre economia. Para evitar esse possível estrago, o Copom reconhece ser “necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido”.
Aí está o dilema. Quando baixou os juros para 7,25%, o BC fez um teste arriscado – será que o Brasil já estava pronto para conviver com taxas de juros menores? As evidências vêm mostrando que não. Afinal, bater o recorde de juros mais baixos na história não foi consequência de um outro recorde – a menor taxa de inflação da história.
Pelo contrério, em 2011, quando começou a reduzir os juros, o IPCA foi de 6,5%. Em 2012, quando alcançou os 7,25%, a inflação foi de 5,84%. Esse comportamento dos preços revela que a dinâmica da inflação no Brasil é teimosa e “nervosinha”. Qualquer imprevisto na rota imaginada pelo BC, a “moça” reage com força e rapidamente.
E foram muitos os imprevistos. E era muito pouca a margem de manobra do Copom. E o mundo começa a se recuperar. E vamos então para mais uma rodada de juros de dois dígitos. E o Brasil vai para o fim da fila porque não conseguiu avançar numa premissa fundamental para incentivar o investimento e o crescimento (sem vôos de galinha) – um equilíbrio mínimo entre os juros e a inflação.

Políticos americanos dão banho no ‘bode-da-sala’

qua, 16/10/13
por Thais Herédia |
O suspense apocalíptico fez parte do “mise-en-scène” da crise da dívida pública americana. Até pela absurda possibilidade dos Estados Unidos darem um calote globalizado. Praticamente, desde que “o mundo é mundo”, eles eram, teoricamente, imunes ao caos que tantos outros países já enfrentaram.
Agora que o suspense acabou, ficou claro que não, os Estados Unidos não estão mais blindados. E o que é mais inusitado, é que o inimigo que invadiu a solidez da administração da economia americana é de casa.
Ao finalmente permitir que o governo dos EUA aumente seus gastos, os políticos de Capitol Hill deram um belo banho no bode-da-sala – com água fresca, shampoo e colônia. Mas ele continua lá, bem no meio. Só que agora, pelo menos está cheiroso.
Isso porque o acordo aprovado nesta quarta-feira pelo congresso (16) foi um tampão de curto prazo. Até 15 de janeiro o orçamento para o governo manter seus serviços estarão garantidos – depois de 16 dias de fechamento. Para continuar a pagar a dívida pública do país, a administração de Barack Obama terá dinheiro só até 7 de fevereiro.
Além disso, a insegurança provocada pelo “shutdown” das últimas duas semanas e a ameaça de calote, já causaram efeitos na confiança de empresários e consumidores americanos. Logo agora que a economia ensaia uma retomada, moderada ainda, mas para cima.
A história explica um pouco o que está acontecendo agora. Desde 1939 O congresso dos EUA é o “mandatário” do limite de endividamento do país. Ninguém nunca soube disso porque essa rotina de renovações era como água embaixo da ponte. A partir de 2009 a coisa começou a pegar e o botão automático que liberava o mega-caixa travou.
Isso aconteceu basicamente porque a dívida pública deles subiu de 53% do PIB em 2001, para nada menos do que 106% do PIB em 2013. As guerras de George W. Bush e a crise financeira de 2008 explicam quase todo este estouro. Mas não dá para chorar sobre o dinheiro que foi derramado para salvar a economia e o “mundo dos terroristas” – seguindo apenas a pretensão americana.
A pressão política vai continuar e o funil só aperta. Resta saber quanto vai durar o frescor do bode-da-sala de lá. Porque o cheiro bom vem apenas como uma brisa para o mundo. Quando o cheiro piora, vira um tufão que pode arrastar economias para um quadro que pode deixar a crise de 2008 no chinelo – ou no ralo.
ps: O Brasil tem hoje cerca de US$ 370 bilhões em reservas internacionais. Você sabe quanto disso está investido em títulos públicos dos EUA? “Só” US$ 260 bilhões…quase nada! Deu para imaginar o estrago que o calote causaria na economia brasileira?

Você tem títulos públicos dos EUA? Ih…

qua, 16/10/13
por Thais Herédia |
categoria Estados Unidos
Em dezembro do ano passado o mundo “parou” até saber se o dia 20 seria mesmo o último de todos os tempos, como indicava o calendário maia (para quem acreditava nele). Muita gente comprou passagem só de ida para lugares considerados sagrados. Quase um ano depois ainda estamos aqui. Quem sabe o calendário maia não se equivocou? A data certa para um apocalipse do milênio está parecendo ser o 17 de outubro de 2013.
Está acabando o prazo para que o Congresso dos Estados Unidos aprove um novo teto para a dívida pública americana. Tecnicamente, a partir de meia-noite desta quinta-feira, sem um aval do parlamento, o Tesouro americano fica sem dinheiro para pagar os juros dos títulos públicos mais seguros do mundo (ex-mais-seguros?).
Você tem títulos públicos dos EUA? Ih…Hoje vale reza, oração, oferenda, pêndulo de cristal etc. Porque a pressão pública global parece insuficiente para acabar com a teimosia dos republicanos. Eles estão testando o limite do que seria “intestável”.
Warren Buffet, o mega-investidor, disse que essa recusa do Congresso americano em aprovar um novo teto para a dívida é “uma arma política de destruição em massa que não deveria ser usada”. Perguntado sobre o que poderia ocorrer se o calote realmente acontecer, um outro investidor americano respondeu: você não quer saber.
Em artigo publicado no ‘Financial Times’, o editor e analista econômico do jornal britânico sugere que é preciso mudar a lei – esta que criou o limite para dívida. Essa sim é a grande bomba destrutiva apontada para o próprio país. Ele defende a postura do presidente Barack Obama de não ceder às chantagens e ameaças do partido de oposição. Seria oficializar o caos.
“Eliminem o teto agora. É um convite à perversidade”, aconselha Martin Wolf.
Se o mundo não acabar depois da meia-noite, volto para comentar o novo dia para o planeta!

Estamos consumindo estoques ou importados?

ter, 15/10/13
por Thais Herédia |
O varejo cresceu mais do que esperado pela média dos analistas. Segundo IBGE, em agosto o setor registrou alta de 0,9% – a expectativa estava mais para estabilidade. Para tentar entender como o movimento recente do comércio versus o desempenho instável da indústria pode influenciar a economia, surgiu uma questão: estamos consumindo estoque nacional ou importados?
“Ninguém sabe muito bem e não há evidência de que estamos reduzindo estoques. Se o consumo for de importados, isso não alimenta a produção industrial, mas tem menos efeito inflacionário. Mas o que preocupa é o consumo de serviços, que são locais. E o gargalo de produção desse setor também é muito grande porque nós não temos gente para todas as atividades da economia. Isso sim é inflacionário”, disse ao G1 o economista Alexandre Schwartsman, da consultoria Schwartsman & Associados.
E como é inflacionário. A inflação de serviços roda perto de 9% em 12 meses, enquanto o IPCA conseguiu finalmente ficar abaixo de 6% agora em setembro. A segunda questão que surge da primeira é: o que faz o Banco Central com esse cenário? Ele sobe mais os juros para evitar que o reaquecimento do consumo gere novos choques de preços? Ou ele evita apertar mais os juros para não comprometer a recuperação, mesmo que mais lenta, da economia?
Teoricamente, o BC deveria olhar para a inflação e continuar a subir os juros para combatê-la. A inflação de serviços mostra que a economia brasileira está rodando acima da sua capacidade. Para trazer o IPCA para mais perto da meta de 4,5%, economistas calculam que seria necessário subir a taxa de juros para 12% ao ano.
“Este ciclo de recuperação é naturalmente limitado por questões estruturais que ainda estamos longe de resolver. A dúvida agora é se o BC vai escolher abortar esse ciclo de retomada para fazer a inflação convergir para a meta.”, disse o economista de um grande banco nacional ouvido pelo blog.
Os economistas do Bradesco, em análise enviada a clientes, acreditam que “a combinação de queda da produção industrial com alta das vendas do varejo no terceiro trimestre sugere um ajuste dos estoques industriais em ritmo mais intenso no último trimestre deste ano, que deve impulsionar o PIB”. O que seria uma boa notícia, claro. Mas, de novo, teríamos um PIB alimentado pelo consumo e não pelo investimento.
Enquanto isso, mundo afora, o Brasil continua sendo percebido com desconfiança e desentendimento. Durante a reunião anual do FMI na semana passada em Washington, enquanto presidentes de BC’s e ministros da economia de México, Colômbia e Chile “vendiam” muito bem seus países, os nossos representantes usaram seu tempo para “explicar” o que se passa por aqui.

EUA e planos do BC continuam sendo ‘hit’ da economia

seg, 14/10/13
por Thais Herédia |
A briga continua. Os políticos americanos ainda não se entenderam e, assim como os filmes de ação e aventura criados em Hollywood, parece que o suspense e a apreensão com o que pode acontecer com a economia americana serão mantidos até o último minuto.
Eles têm até quarta-feira, dia 17, para elevar o limite da dívida pública do país para permitir que os Estados Unidos continuem pagando suas dívidas. Isso já faz desse o principal evento da semana. Nem vale a pena gastar linhas para tentar descrever os efeitos (devastadores) que um calote americano provocariam no mundo.
Aterrissando no Brasil, a semana tem um “hit” nacional. O Banco Central vai divulgar a ata da ultima reunião do Copom, que decidiu pela elevação da taxa básica de juros para 9,5% ao ano. O que todos esperam ler nas páginas do documento é uma indicação bem clara sobre qual seria o ritmo de aperto nos juros que o BC acredita ser suficiente para combater a inflação de 2014.
Não há um consenso sobre um teto para esta subida na taxa Selic. Mas muita gente do mercado financeiro ajustou suas expectativas para um movimento que leve os juros para a casa dos dois dígitos ainda esse ano. As previsões mais recentes para o IPCA de 2013 indicam que o índice oficial pode ficar mesmo abaixo do que registrou em 2012 – 5,84%, num cenário que se ajustou à acomodação da moeda americana. Para completar o quadro da semana, o IBGE divulga dados sobre o desempenho do varejo e o IPCA-15 de outubro.
Sendo explícito ou não sobre seus planos para a taxa de juros, o BC enfrenta hoje um encontro desagradável com uma realidade da economia doméstica. Os juros mais baixos da história do país, legado que a presidente Dilma Rousseff gostaria de imortalizar, mostrou-se insustentável e um “sonho” fora de hora.
Até porque, se o índice oficial está hoje dentro da meta (considerando o teto da banda permitida de 6,5%) é porque o governo tem segurado o aumento de preços controlados pelo chifre (transporte, energia e combustível), evitando um repasse maléfico para uma inflação que já luta contra outras pressões no mercado interno.
Claro que não vamos precisar daqueles juros de cinco, oito anos atrás. Mas, a volta para a casa dos dois dígitos, se ela realmente ocorrer, pode comprovar que para ter juros de primeiro mundo, o Brasil tem que antes que arrumar um bocado de coisas na sua economia. Assim, capaz de conseguirmos crescer com musculatura forte e não nos atrapalharmos com dinheiro mais barato na praça.

BC diz ao mercado: ‘apressado come cru’

qua, 09/10/13
por Thais Herédia |
Tudo igual. Pela terceira vez consecutiva o Comitê de Política Monetária deu a mesmíssima justificativa para a elevação da taxa de juros. O comunicado publicado ao final da reunião desta quarta-feira (9) no Banco Central é um famoso “ctrl C – ctrl V”.
Sem trocar vírgula ou conjugação verbal do que vem dizendo desde julho, os diretores do BC anunciaram a nova taxa básica da economia – a Selic agora está em 9,5% ao ano.
A decisão confirma as expectativas, mas o comunicado frustra economistas e analistas do mercado financeiro. Com a mudança no cenário recente da economia brasileira – e também da mundial em função da decisão do Fed em adiar a redução dos estímulos à economia americana – esperava-se que o BC pudesse trazer em seu comunicado alguma indicação de como o Copom vê agora o comportamento da inflação.
Essa mudança no comunicado poderia sinalizar até onde a taxa de juros pode chegar, no curto prazo, para conseguir tirar a inflação do patamar atual. Será que deve voltar a dois dígitos? Ainda não há consenso sobre a necessidade dessa dose mais forte do “remédio”.
O IPCA, índice oficial, ficou abaixo dos 6% pela primeira vez neste ano com o resultado de setembro – alta de 0,35%. Mas ainda é alto para uma economia que cresce pouco. A decisão de agora do Comitê já está de olho na inflação de 2014. As previsões atuais apontam um IPCA mais alto do que o esperado para este ano.
Com pressa ou não, terão todos que esperar uma semana para tentar entender melhor o que se passa na cabeça na nas pranchetas dos diretores do BC. Só na quinta-feira da outra semana será divulgada a ata desta reunião do Copom. Como já diz o ditado, o BC avisa aos analistas: “apressado come cru ou queima a boca”.

Para onde olha o Copom?

qua, 09/10/13
por Thais Herédia |
categoria Banco CentralCopomFEDIPCA
Entre uma reunião e outra do Comitê de Política Monetária do Banco Central muita coisa pode acontecer. No encontro que termina nesta quarta-feira (09) com anúncio da nova taxa de juros, os diretores do BC têm em mãos um cenário diferente do que 45 dias atrás.
Dois pontos merecem destaque. Ao adiar a redução dos estímulos para economia americana, o Fed, BC dos EUA, deu um refresco para o Brasil. O dólar voltou das alturas e respondeu bem às intervenções do BC brasileiro no mercado de câmbio. Esse recuo diminuiu consideravelmente a ameaça de repasses mais intensos para a inflação.
O segundo ponto ainda é uma hipótese e uma dúvida. O governo sinalizou que vai diminuir a concessão de crédito dos bancos públicos, incluindo o BNDES. A decisão parece ter sido tomada depois do susto com os alertas das agências de classificação de risco, que ameaçam rebaixar a nota do Brasil.
Mas o que isso tem a ver com a decisão do Copom? Quando o BC sobe os juros ele “encarece” o dinheiro para desestimular o consumo e conseguir baixar a inflação. Se os bancos públicos continuam dando dinheiro barato para ser gasto na praça, o efeito da decisão do BC é prejudicado.
Para alcançar mais eficiência, o BC é obrigado a aumentar a dose nos juros para que, mesmo que subsidiando o crédito, os bancos públicos acabem repassando algum aumento para a taxa dos financiamentos. Se o governo realmente cumprir a promessa, ele pode ajudar o Copom a ampliar o alcance da sua estratégia.
Intervindo no câmbio e fortalecendo a aplicação da política monetária na economia, o BC pode entender que precisa apertar menos o botão dos juros para atingir a inflação. A expectativa para o Copom desta quarta-feira é de alta de 0,50 ponto percentual, levando a Selic para 9,5% ao ano. Mas e depois? Quanto mais será necessário, diante do que vê hoje o BC, para assegurar uma queda da inflação?
O IPCA de setembro, de 0,35%, trouxe a inflação em 12 meses para abaixo de 6% pela primeira vez neste ano. O que não aparece nesse número mágico são os preços controlados pelo governo, presos num pacote que em algum momento vai rasgar. Resta saber se, mesmo com a janela aberta pelos dois pontos tratados acima, o BC vai usar os juros para combater até a inflação que o IPCA não mostra.

Brasil volta a levar bronca na ‘sala da diretoria’ do FMI

ter, 08/10/13
por Thais Herédia |
categoria economiaeleiçõesFMIPIB
Que o mundo ainda patina para se recuperar da crise de cinco anos atrás, todo mundo já sabe. Que esse movimento de retomada vem sendo liderado pelos Estados Unidos e pelos mais fortes da Europa, como a Alemanha, também não é novidade. O que chama atenção no relatório sobre o desempenho da economia mundial divulgado pelo FMI é a conclusão de que a recuperação da economia mundial será mais lenta e em menor intensidade por causa dos emergentes.
Sim, os menos ricos, os “em desenvolvimento” que, de um jeito ou de outro, seguraram as pontas nos últimos anos, consumindo tudo que os mais ricos e desenvolvidos tinham para vender – produtos, serviços, história, lazer, vinhos, carros etc. Acontece que a farra do dinheiro barato acabou e os consumidores emergentes, caso dos chineses e dos brasileiros, terão que se adaptar e vão forçar o resto da turma a ir mais devagar.
O relatório do FMI World Economic Outlook (WEO) divulgado nesta terça-feira traz uma revisão de praticamente todas as expectativas de crescimento para o planeta e suas subdivisões – países avançados, emergentes e em desenvolvimento.
Para o Brasil a revisão foi mais forte para o desempenho do PIB em 2014 – de 3,2% para 2,5%. Aqui, entre os analistas ouvidos pelo Banco Central para o Boletim Focus, essa previsão já está menor – a maioria dos consultados espera um PIB de 2,4% no ano que vem.
Para o Fundo, no caso brasileiro, inflação mais alta e incerteza política são pontos de preocupação que podem segurar o PIB nacional mais baixo por um tempo maior. A inflação, a gente até entende. Mas ao apontar a “incerteza política” como um fator de risco para a economia, o FMI resgata uma fonte de dúvidas que já causou muito estrago no passado.
Desde a reeleição do ex-presidente Lula em 2006 a política enfraqueceu e deixou de ser levada em conta na hora de avaliar as condições e os riscos que o país apresentava para os investidores. Em 2010, com o país crescendo a taxas chinesas e a então candidata Dilma Rousseff sendo a promessa da continuidade, a política também deixou de ser assunto importante.
Para 2014, a coisa já não será tão fácil assim, com a eleição para presidente e governadores, numa campanha que já começou. O país não cresceu, a inflação aumentou e todas as bondades feitas no primeiro ano do mandato de Dilma estão sendo tomadas de volta porque não resultaram em mais PIB – pelo contrário, tiraram competitividade e apagaram o brilho brasileiro.
Sem crescimento, ou uma promessa factível dele, com sinais de confusão e desentendimento na condução da política econômica (a única política que era levada em consideração), os investidores estão de cara feia para o Brasil.
Depois de mais de uma década sem levar bronca pública do Fundo, estamos de volta à “sala da diretoria”. Lição de casa: reformas, controle de gastos, menos inflação e caligrafia para que todos possam entender o que quer exatamente o governo dos investidores.