quinta-feira, 27 de dezembro de 2012


      As  Paneleiras de Goiabeiras, assim chamadas por ser a maioria das artesães mulheres, residem no bairro de Goiabeiras, em Vitória, capital do Estado do Espírito Santo.
      Com competência confeccionam, em barro, panelas, potes, travessas, bules, caldeirões, frigideiras etc, de diversas formas e tamanhos. O processo de fabricação é praticamente o mesmo que os índios usavam quando aqui aportaram os portugueses na época  do descobrimento.

      O ensinamento, transmitido de pais para filhos, permite que a identidade cultural desta atividade seja mantida com muito poucas alterações, há várias gerações. São avós, mães, filhas e netas exercendo o mesmo ofício.
      Anteriormente, as Paneleiras  trabalhavam individualmente em suas próprias casas. Atualmente, mais organizadas, estão agrupadas na  Associação das Paneleiras de Goiabeiras, uma espécie de cooperativa.
Trata-se de um galpão onde cada uma, independentemente, produz e comercializa suas próprias peças. Sob o aspecto econômico, a renda que auferem, é significativa no contexto da manutenção de suas famílias.
      A Associação já se tornou um dos pontos turísticos da cidade, sendo visitada, regularmente, por turistas interessados em adquirir as peças e ver como as mesmas são confeccionadas.
No futuro pretendem as Paneleiras expandir as instalações montando, inclusive, um restaurante de pratos típicos capixabas.
      A principal matéria prima, o barro, é extraído na própria região, em jazidas do Vale do Mulembá. A argila, antes de ser usada, passa por um processo para "limpar" denominado "escolha", que consiste na retirada de impurezas, como pedras e restos de vegetais. Em seguida, devidamente envolta em plástico para manter a umidade, fica armazenada, descansando, por uns tempos antes de ser usada.

     
Esta pesada tarefa, que antes era feita pelas mulheres, é atualmente mais realizada pelos homens, que o fazem amassando o barro com os pés, pisando repetidas vezes, até torná-lo uniforme, consistente e com a plasticidade adequada.
      A modelagem das panelas é feita manualmente, sem o uso do torno de oleiro. A parede vai sendo levantada, com a forma desejada, usando-se a técnica de roletes ou diretamente, escavando a "bola" de argila, "puxando a panela", como dizem, através de movimentos com as mãos, tanto circulares como verticais, abaulando, arredondando, definindo o formato da peça com a ajuda de rudimentares ferramentas-pedras lisas, cascas de coco, coité (pedaço de cabaça), e objetos similares.
      Certamente a característica mais marcante das panelas é a sua coloração escura. Isto é obtido por meio da impregnação da peça com tanino, existente na árvore do mangue-vermelho-"rhizophora mangle".
Usa-se sua casca que é retirada do tronco batendo-se fortemente com um porrete de madeira. As lascas assim obtidas são picadas e colocadas de molho, em água doce, para curtir por  três dias, no mínimo.
    
Salientamos que esta prática na região não é predatória, havendo uma clara consciência de preservação por parte dos "casqueiros". Neste sentido só retiram a casca de um dos lados do tronco, em pouca quantidade, procedimento que não prejudica a árvore e o ecossistema do manguezal.
      A aplicação do tanino nas panelas é feita batendo-se, vigorosamente, com uma vassourinha embebida com o mesmo, na peça ainda quente, imediatamente após ter saído do fogo. Este processo de impregnação é conhecido como "açoite". Como resultado, o tanino penetra nos poros da cerâmica, cobrindo fissuras e tornando-a impermeável, servindo também para impedir a proliferação de fungos, que, com o correr do tempo, esfarelam o barro.
      Observe-se que a coloração escura da panela permite uma melhor concentração do calor, facilitando o cozimento e a conservação dos alimentos.

      As panelas, depois de modeladas, ficam em lugar ventilado e protegido do sol até secarem completamente. Só após é efetuada a queima, não em forno, mas em fogueiras a céu aberto. (método bastante primitivo adotado por tribos indígenas).
      O processo consiste em empilhar as panelas sobre grossas toras de madeiras, formando o que chamam de "cama", para permitir, deste modo, a circulação do ar pela parte inferior. Nas laterais e em cima, são colocados pedaços menores de madeira. O fogo é ateado em uma das extremidades, na "cabeceira da cama", que com a ajuda da ventilação natural se expande por todo o conjunto. Dependendo do número de peças, o cozimento pode  durar uma ou muito mais horas.
      Digno de nota é o fato da queima ser ecologicamente correta, já que não desmata árvores da região. Para fazer o fogo usam-se restos de madeiras, principalmente da construção civil. Apesar deste tipo de madeira nem sempre  possuir o melhor poder calorífico, o resultado final é satisfatório desde que o calor produzido seja intenso, uniforme e dure o tempo necessário.
 



 
      Para facilitar o armazenamento, são feitas panelas grandes, que são chamadas de mães, e pequenas, de filhas. Acondicionam as pequenas, dentro das grandes, formando uma "casada". Alguns modelos possuem asas, chamadas de "orelhas", que facilitam o manuseio entre o fogão e a mesa. Usa-se também apoiar as panelas em armações de ferro, quando levadas à mesa.






terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Movimento de Economia Solidária comemora o Dia Nacional com encerramento da V Plenária Nacional

16 de dezembro de 2012
Por Secretaria Executiva do FBES
Image O Movimento Nacional da Economia Solidária encerrou nesta quinta-feira (13) a V Plenária Nacional de Economia Solidária, em Luziânia-GO, comemorando também o dia nacional da Economia Solidária (15), com a leitura da carta final da plenária no ato político de encerramento.

O momento contou com a presença de mais de 14 movimentos sociais nacionais, Deputada Erica Kokay representante da Frente Parlamentar de Economia Solidária, Professor Paul Singer pela Secretaria Nacional de Economia Solidária e Ministro Gilberto Carvalho pela Secretaria Geral da Presidência da República. A leitura da carta final da V Plenária foi realizada por Márcia Lima, representante do Fórum Brasileiro de Economia Solidária.
Todos os que participaram deste processo saíram com sua militância e projeto político fortalecido, definindo com consistência e profundidade o projeto político do movimento de economia solidária, além de definições de orientações de ações e sobre organicidade.
Acesse o vídeo do ato político final em: https://www.youtube.com/watch?v=w9UoaXdqczQ

O ato foi aberto pela grupo Bate Palmas, com uma linda música
Parabéns povo guerreiro
presentes nesta plenária
Nós estamos construindo
uma prática libertária
que se chama economia
economia solidária
(...)

Segundo o professor Paul Singer, que homenageou o evento, destacou que a "economia solidária é uma revolução pacífica porque é democrática, esta plenária inaugura uma nova etapa da economia solidária, rumo aquilo que nós trabalhadores e trabalhadoras queremos".

O Ministro Gilberto Carvalho homenageou os trabalhadores e trabalhadoras da economia solidária, destacando a caminhada do projeto socialista e trazendo uma reflexão sobre a importância das empresas públicas e a limitação do governo, aonde as riquezas ainda estão a serviço e de posse das elites. "O movimento de economia solidária busca espaço e cria uma nova forma de produção rumo a um novo tipo de economia solidária, vocês são proféticos e precisam do reconhecimento do estado e do governo". Também destacou a luta em 2011 frente ao PL 865, e afirmou que "nós teremos o ministério da economia solidária, há uma grande abertura do governo Dilma para isso", o que foi saldado pelos participantes.

Os movimentos e redes sociais presentes, dentre eles destacamos, o Movimento Indígena, Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis, Movimento Quilombola, Articulação Nacional de Agroecologia, Via Campesina, Marcha Mundial de Mulheres, Articulação de Mulheres Brasileira, Comissão dos Pontos de Cultura, CUT Nacional, Faces do Brasil, Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral, Fetraf, Comissão Pastoral da Pesca e Rede Saúde Mental, tiveram sua fala em um lindo cordel construído conjuntamente. Na sequência uma mística com o anel de tucum firmou o compromisso com cada um/a dos presentes, simbolizando o compromisso com a causa, com a vida e a justiça.

As mulheres também realizaram um ato contra o machismo, o capitalismo, a exploração e o patriarcado. E a grande bandeira da economia solidária foi aberta e saudada por todas e todos participantes.

No ato de encerramento final também estiveram presentes as Secretárias de Juventude, de Desenvolvimento Territorial/MDA, de Políticas Especial para as Mulheres, BNDES e Conab.




sexta-feira, 14 de dezembro de 2012



Trem turístico prometido para antes do carnaval

TURISMO
A perspectiva é que a viagem inaugural seja em fevereiro de 2013, às vésperas do Carnaval, e a operação em definitivo no mês de junho

Composição do modelo litorina que atenderá Mangaratiba - FOTOS DIVULGAÇÃO PMM
Composição do modelo litorina que atenderá Mangaratiba – FOTOS DIVULGAÇÃO PMM

O projeto “Trem dos Mares da Costa Verde”, da Prefeitura de Mangaratiba, continua a todo vapor. Neste fim de semana o secretário de Assuntos Estratégicos Francisco Ramalho esteve na cidade de Santos Dumont, Minas Gerais, para uma reunião com representantes da associação Movimento Nacional Amigos do Trem. O objetivo do encontro foi fechar a parceria entre a prefeitura e o órgão e conhecer o veículo que será responsável pelo passeio.

Francisco comemorou o resultado da reunião e disse que o projeto está em ritmo acelerado. “Esse encontro foi muito positivo, pois fechamos a parceria. Eles vão nos ceder a composição do modelo litorina, de cabine única com capacidade para 80 pessoas, que vai percorrer o trajeto de 18 Km. Em contrapartida nós iremos absorver a mão de obra especializada deles que conta com maquinista, mecânicos, equipe de manutenção e outros setores específicos”. Francisco ressalta ainda que a ideia é desenvolver um plano integrado de turismo, ligando mar e montanha. “Mais uma empresa vai se instalar em Mangaratiba, trazendo empregos e alavancando o turismo sustentável”.

A empresa que o secretário se refere é a Serra Verde Express, que já explora a linha Curitiba-Paranaguá, no Paraná. Ela pretende trabalhar com hotéis e restaurantes da cidade para venda de pacotes fechados com estadia e alimentação. A perspectiva é que a viagem inaugural seja em fevereiro de 2013, às vésperas do Carnaval, e a operação em definitivo no mês de junho, já com a anuência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O assessor da Secretaria estadual de Transportes e especialista em ferrovias, Antônio Pastori explica que o projeto está bem encaminhado. “Hoje, no Estado do Rio só temos o Corcovado como trem turístico, que leva cerca 800 mil passageiros por ano. Este seria o segundo, daí a enorme importância deste projeto”, concluiu.

FOTOS DIVULGAÇÃO PMM
FOTOS DIVULGAÇÃO PMM

Próxima reunião será decisiva
No próximo dia 21 acontecerá uma nova reunião, talvez a mais importante até o momento, que reunirá representantes da operadora Serra Verde Express, técnicos e representantes da MRS, Vale, ANTT e Governos Estadual e Municipal. A reunião decisiva traçará as datas da operação, análise de dados de controle, exigências pendentes para o funcionamento, desvios, engate de linhas, toda a parte de engenharia e discussão das licenças.

Conheça o projeto
O Trem dos Mares oferecerá uma viagem temática de trem. O passeio percorrerá o trecho de 18 km entre Itacuruçá e a enseada de Santo Antônio. Os passageiros poderão ver e vivenciar importantes elementos históricos, como as monumentais ruínas do Sahy – que guardam em suas construções a lendária trajetória do tráfico negreiro – além dos pontos turísticos, culturais e históricos presentes nos 180 anos de história de Mangaratiba. O trajeto permite inclusive a visualização da Ilha Grande e a Ilha da Marambaia, emolduradas pelas muralhas da Serra do Mar.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Aberta a V Plenária: Por uma nova economia

10 de dezembro de 2012
Fonte: Fernanda Pessoa
Image Com muita alegria e ao som de ciranda, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária-FBES deu início à V Plenária Nacional de Economia Solidária. Empreendedores solidários de todas as partes do Brasil estarão reunidos em LuziâniaGO, de hoje (09) a 13 de dezembro, com o objetivo de debater um novo sistema econômico, pautado na justiça social, no respeito à diversidade cultural e em prol do desenvolvimento sustentável.
Um coro de vozes emocionadas deu ritmo à abertura do evento, que reunirá aproximadamente 1000 trabalhadores e trabalhadoras, entre representantes estaduais, escolhidos nas etapas locais e estaduais, além de convidados definidos pela Comissão Organizadora Nacional e entidades apoiadoras. Todos juntos. Quilombolas, indígenas, homens, mulheres e crianças, cantando a diversidade de culturas e vivências, para discutir e propor uma nova economia, pautada no fortalecimento do trabalho associativo e no protagonismo no desenvolvimento local, através da constituição de empreendimentos econômicos solidários e da articulação de redes de cooperação entre grupos produtivos.
Representantes de todas as regiões do país trouxeram um pouco da terra e água de seus territórios para agradecer os recursos que nos permitem bem-viver no planeta, e homenagear os companheiros e companheiras que cooperaram para este encontro acontecer, mas não puderam comparecer. A mística de abertura, conduzida por Deusdete Oliveira , foi encerrada com uma lúdica mistura de todos esses elementos, pelas mãos de Daniela Rueda e Paulo Morais membros da Secretaria Executiva do FBES. A bandeira da Economia Solidária foi estendida e segurada por todos que, unidos, realizarão a orientação política do movimento de economia solidária para os próximos três anos, o diálogo com os movimentos parceiros, e a formação de grupos em mesas temáticas, para discutir temas importantes e aprofundar o conteúdo do documento síntese da Plenária.
O que é o bem viver? A pergunta foi lançada, e o resultado do primeiro dia é a unanimidade pelo desejo de “mais amor o próximo”, “repeito à diversidade”, “ alimentos sem veneno”,” o mundo sem patrão e sem empregados”, “justiça social e respeito”, “preservação do meio ambiente”, entre outros. Serão cinco dias de muito diálogo. Pela valorização do ser humano, e não do capital. Após as falas de motivação e agradecimentos, de Ana Dubeux e Franscisca de Jesus, com muita emoção, esperança, e principalmente solidariedade foi iniciada a V Plenária.

V Plenária Nacional de Economia Solidária receberá no dia 13 Ministro Gilberto Carvalho
A V Plenária Nacional de Economia Solidária – “bem-viver, cooperação e autogestão para o desenvolvimento justo e sustentável” realizada pelo Fórum Brasileiro de Economia Solidária, esta reunida em Luziânia (GO) para debater suas ações para o próximo triênio. Estão reunidos 600 representantes dos 26 Estados mais o Distrito Federal eleitos, através de um processo que envolveu mais de 10.000 pessoas que participaram das etapas locais/territoriais, municipais, estaduais e temáticas, sendo ao todo realizadas 194 plenárias pelo país.
Estão presentes neste encontro diversos movimentos sociais, como catadores, feministas, quilombolas, indígenas, agricultores, representantes de pontos de cultura, pescadores para a construção de uma economia mais justa, através da abordagem do tema bem-viver.
Neste dia 13 de dezembro nos reuniremos para a realização de um Ato Político a partir das 11h, na sede da CTE / CNTI. Estão confirmadas as presenças das seguintes autoridades e indicação dos movimentos sociais: Ministro Gilberto Carvalho – Secretaria Geral da Presidência; Paul Singer – Secretário Nacional da Secretaria Nacional de Economia Solidária / MTE; Paulo Teixeira – Presidente da Frente Parlamentar de Economia Solidária; Paulo Rubens Santiago – Deputado Federal (PE); Carlos Cabral – Deputado Estadual (GO); Representante da Secretaria Nacional de Juventude; Andrea Butto - Secretaria de Desenvolvimento Territorial / MDA; Associação Nacional de Agroecologia, Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Articulação de Mulheres Brasileiras, Marcha Mundial das Mulheres, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, Central Única dos Trabalhadores, Faces do Brasil, Rede Nacional Quilombolas, Ficha Limpa, Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura Familiar e a Rede de Educação Cidadã



Ademar Bertucci e Paul Singer foram homenageados durante a tarde de hoje (10) VPNECOSOL. No segundo dia de atividades, o professor Singer trouxe contribuições importantes sobre a temática "Bem Viver", refletindo as conquistas e desafios do atual cenário do movimento de Economia Solidária.



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

 Moeda própria e desenvolvimento para moradores do Preventório
Moradores da comunidade de Niterói usam o Prevê e têm conseguido empréstimos e
descontos em compras. 80% do comércio local já adotou o uso da moeda social


Em menos de um ano de vida, o Banco Comunitário do Preventório, em Jurujuba, já conseguiu alçar números de sucesso, tornando-se referência entre os bancos comunitários do país. Fruto de uma parceria entre moradores, Pró-reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense (Proex UFF) e Ampla, o Banco do Preventório, que é o segundo no Estado do Rio de Janeiro, possui uma consultoria e acompanhamento do Banco Comunitário Palmas, do Ceará. Desde a criação, em setembro do ano passado, 80% dos comércios (o que corresponde a cerca de 70 estabelecimentos) já se cadastraram ao banco e aderiram à moeda social, o “Prevê”. Desde então, 400 contratos de moedas sociais já foram realizados, movimentando mais de 30 mil prevês na comunidade.

Os descontos, concedidos pelos comerciantes aos que compram em moeda social, que varia de 5 a 10% sobre o valor do produto, tem estimulado o comércio e o desenvolvimento local, cujo foco do consumo por parte da população tem sido de bens alimentícios e de gás. Além das notas de vinte e cinco centavos, um, dois, cinco, dez, vinte e vinte e cinco prevês, o banco passou a emitir a moeda de 50 no princípio deste mês. Para implantação do projeto, a Ampla investiu R$ 500 mil, sendo esse valor dividido para os dois primeiros anos – o que corresponde aos anos de 2011 e 2012. A expectativa é que após esse período, o banco já se torne sustentável.

“Em pouco tempo chegamos a números de bancos com mais tempo de atividade no país. Isso é um aspecto muito positivo e indício de que estamos no caminho certo”, declarou o presidente do banco, Marcos Rodrigo.

O diretor de Comunicação e Relações Institucionais da Ampla, André Moragas, acredita que o projeto está em sintonia com as questões sociais da empresa. “Para a Ampla, investir em um projeto como o Banco Comunitário é uma oportunidade de expandir a cultura já trabalhada pela empresa, do uso mais sustentável da energia elétrica, através de atividades para a educação do consumo consciente, eficiência energética, geração de renda e desenvolvimento local”, disse.

O professor de economia pela UFF e secretário municipal de Ciência e Tecnologia do município do Rio de Janeiro, Franklin Dias, destacou a importância do projeto e relatou que a tendência é que esse modelo se expanda pelo país não apenas em comunidades carentes. “Esse modelo alternativo de economia é um instrumento de desenvolvimento da comunidade; um sistema que permite que a sociedade de um determinado local tenha acesso ao crédito, que até então era dificultado pelos bancos convencionais. A probabilidade é que esse modelo se estenda não apenas entre as comunidades carentes, mas que se torne uma alternativa de solução para o crescimento da economia e consequentemente o desenvolvimento de um local, como acontece no município de Silva Jardim, por exemplo”, disse.

A socióloga e coordenadora da Incubadora de Empreendimentos em Economia Solidária da UFF (IEES-UFF), Bárbara França, um dos órgãos responsáveis pela implantação do projeto juntamente com a Ampla, pontua que o banco, além de movimentar a economia local, tem permitido uma organização popular da comunidade. “A maior beleza do projeto é que ele é administrado e gerido pelos próprios moradores, diferente do que acontece em outros municípios, onde a prefeitura atua juntamente. Essa necessidade de trabalho em conjunto está “obrigando” que eles se organizem, e é preciso que seja dito: eles estão se saindo muito bem, tornando a comunidade em que vivem em um exemplo de cidadania e de qualidade de vida”, declarou. 

Além de movimentar a economia e o desenvolvimento, o banco permite a implantação de projetos sociais na comunidade. “Nosso objetivo não é meramente econômico. Nosso alvo é trabalhar em cima desse quesito para desenvolver outros setores. A ideia é que o banco seja um ponto de partida, um agente que contribua para o desenvolvimento humano, social e intelectual da comunidade”, disse Marcos Rodrigo.

Crédito para construção

Além dos contratos de moeda social, o banco também oferece o crédito produtivo e o de construção. No primeiro, o morador tem direito de pegar até R$ 800 ou prevês, o que fica a critério pessoal. Esse empréstimo é oferecido para que a pessoa possa desenvolver algum projeto ou então ampliar algum negócio próprio. Já para o crédito de construção, é oferecido até R$ 500. Nesse segundo caso, para conseguir o benefício, o morador precisa ir ao estabelecimento e fazer o orçamento com o lojista, que repassa para o banco, que é quem decide se autoriza ou não a venda.

Para essa decisão, o banco conta com um comitê de moradores – as agenciadoras de crédito, frisou Marcos Rodrigo. “Nosso critério é a confiança. Temos uma equipe que analisa quem é o morador, e o entrevista para saber se a pessoa tem experiência no ramo em que deseja atuar, se é conhecido e há quanto tempo mora na comunidade”, disse Marcos Rodrigo.

A comerciante Maria Rosa Santana, de 50 anos, aprova a medida. Ela conta que desde a implantação do ‘prevê’, o movimento melhorou. “A possibilidade de oferecer desconto atrai o consumidor”, diz Maria Rosa, que pretende ampliar seu negócio adquirindo um crédito produtivo. “Quero fazer uma reforma na loja e comprar uma barraquinha para que possa vender meus quitutes”, contou.

O comerciante José Pedro de Oliveira, de 58 anos, já sentiu reflexos da nova moeda. “Através do banco tive a oportunidade de comprar um aspirador e uma bomba para o meu lava a jato, coisa que há seis anos trabalhando não consegui por conta das questões burocráticas e taxas de juros de um banco convencional”, pontuou.

No começo do mês, foi inaugurado o “Prevêstibular” e o Clube de Energia Solidário, em parceria com a Ampla e com a UFF. Quanto maior for o pagamento de contas através do Clube de Energia Solidária, maior será o repasse de parte desta arrecadação para o Banco Comunitário, que irá investir em ações no desenvolvimento local.


Com os prevês, moradores conseguem descontos de até 10% em suas compras  Foto: Marcello AlmoMoeda própria do Morro do Preventório, em Niterói se consolida após um ano em circulação, com vantagens para moradores que utilizam o “Prevê.” José Pedro conseguiu comprar aspirador para o lava a jato.  Foto: Marcello Almo