quinta-feira, 27 de dezembro de 2012


      As  Paneleiras de Goiabeiras, assim chamadas por ser a maioria das artesães mulheres, residem no bairro de Goiabeiras, em Vitória, capital do Estado do Espírito Santo.
      Com competência confeccionam, em barro, panelas, potes, travessas, bules, caldeirões, frigideiras etc, de diversas formas e tamanhos. O processo de fabricação é praticamente o mesmo que os índios usavam quando aqui aportaram os portugueses na época  do descobrimento.

      O ensinamento, transmitido de pais para filhos, permite que a identidade cultural desta atividade seja mantida com muito poucas alterações, há várias gerações. São avós, mães, filhas e netas exercendo o mesmo ofício.
      Anteriormente, as Paneleiras  trabalhavam individualmente em suas próprias casas. Atualmente, mais organizadas, estão agrupadas na  Associação das Paneleiras de Goiabeiras, uma espécie de cooperativa.
Trata-se de um galpão onde cada uma, independentemente, produz e comercializa suas próprias peças. Sob o aspecto econômico, a renda que auferem, é significativa no contexto da manutenção de suas famílias.
      A Associação já se tornou um dos pontos turísticos da cidade, sendo visitada, regularmente, por turistas interessados em adquirir as peças e ver como as mesmas são confeccionadas.
No futuro pretendem as Paneleiras expandir as instalações montando, inclusive, um restaurante de pratos típicos capixabas.
      A principal matéria prima, o barro, é extraído na própria região, em jazidas do Vale do Mulembá. A argila, antes de ser usada, passa por um processo para "limpar" denominado "escolha", que consiste na retirada de impurezas, como pedras e restos de vegetais. Em seguida, devidamente envolta em plástico para manter a umidade, fica armazenada, descansando, por uns tempos antes de ser usada.

     
Esta pesada tarefa, que antes era feita pelas mulheres, é atualmente mais realizada pelos homens, que o fazem amassando o barro com os pés, pisando repetidas vezes, até torná-lo uniforme, consistente e com a plasticidade adequada.
      A modelagem das panelas é feita manualmente, sem o uso do torno de oleiro. A parede vai sendo levantada, com a forma desejada, usando-se a técnica de roletes ou diretamente, escavando a "bola" de argila, "puxando a panela", como dizem, através de movimentos com as mãos, tanto circulares como verticais, abaulando, arredondando, definindo o formato da peça com a ajuda de rudimentares ferramentas-pedras lisas, cascas de coco, coité (pedaço de cabaça), e objetos similares.
      Certamente a característica mais marcante das panelas é a sua coloração escura. Isto é obtido por meio da impregnação da peça com tanino, existente na árvore do mangue-vermelho-"rhizophora mangle".
Usa-se sua casca que é retirada do tronco batendo-se fortemente com um porrete de madeira. As lascas assim obtidas são picadas e colocadas de molho, em água doce, para curtir por  três dias, no mínimo.
    
Salientamos que esta prática na região não é predatória, havendo uma clara consciência de preservação por parte dos "casqueiros". Neste sentido só retiram a casca de um dos lados do tronco, em pouca quantidade, procedimento que não prejudica a árvore e o ecossistema do manguezal.
      A aplicação do tanino nas panelas é feita batendo-se, vigorosamente, com uma vassourinha embebida com o mesmo, na peça ainda quente, imediatamente após ter saído do fogo. Este processo de impregnação é conhecido como "açoite". Como resultado, o tanino penetra nos poros da cerâmica, cobrindo fissuras e tornando-a impermeável, servindo também para impedir a proliferação de fungos, que, com o correr do tempo, esfarelam o barro.
      Observe-se que a coloração escura da panela permite uma melhor concentração do calor, facilitando o cozimento e a conservação dos alimentos.

      As panelas, depois de modeladas, ficam em lugar ventilado e protegido do sol até secarem completamente. Só após é efetuada a queima, não em forno, mas em fogueiras a céu aberto. (método bastante primitivo adotado por tribos indígenas).
      O processo consiste em empilhar as panelas sobre grossas toras de madeiras, formando o que chamam de "cama", para permitir, deste modo, a circulação do ar pela parte inferior. Nas laterais e em cima, são colocados pedaços menores de madeira. O fogo é ateado em uma das extremidades, na "cabeceira da cama", que com a ajuda da ventilação natural se expande por todo o conjunto. Dependendo do número de peças, o cozimento pode  durar uma ou muito mais horas.
      Digno de nota é o fato da queima ser ecologicamente correta, já que não desmata árvores da região. Para fazer o fogo usam-se restos de madeiras, principalmente da construção civil. Apesar deste tipo de madeira nem sempre  possuir o melhor poder calorífico, o resultado final é satisfatório desde que o calor produzido seja intenso, uniforme e dure o tempo necessário.
 



 
      Para facilitar o armazenamento, são feitas panelas grandes, que são chamadas de mães, e pequenas, de filhas. Acondicionam as pequenas, dentro das grandes, formando uma "casada". Alguns modelos possuem asas, chamadas de "orelhas", que facilitam o manuseio entre o fogão e a mesa. Usa-se também apoiar as panelas em armações de ferro, quando levadas à mesa.






terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Movimento de Economia Solidária comemora o Dia Nacional com encerramento da V Plenária Nacional

16 de dezembro de 2012
Por Secretaria Executiva do FBES
Image O Movimento Nacional da Economia Solidária encerrou nesta quinta-feira (13) a V Plenária Nacional de Economia Solidária, em Luziânia-GO, comemorando também o dia nacional da Economia Solidária (15), com a leitura da carta final da plenária no ato político de encerramento.

O momento contou com a presença de mais de 14 movimentos sociais nacionais, Deputada Erica Kokay representante da Frente Parlamentar de Economia Solidária, Professor Paul Singer pela Secretaria Nacional de Economia Solidária e Ministro Gilberto Carvalho pela Secretaria Geral da Presidência da República. A leitura da carta final da V Plenária foi realizada por Márcia Lima, representante do Fórum Brasileiro de Economia Solidária.
Todos os que participaram deste processo saíram com sua militância e projeto político fortalecido, definindo com consistência e profundidade o projeto político do movimento de economia solidária, além de definições de orientações de ações e sobre organicidade.
Acesse o vídeo do ato político final em: https://www.youtube.com/watch?v=w9UoaXdqczQ

O ato foi aberto pela grupo Bate Palmas, com uma linda música
Parabéns povo guerreiro
presentes nesta plenária
Nós estamos construindo
uma prática libertária
que se chama economia
economia solidária
(...)

Segundo o professor Paul Singer, que homenageou o evento, destacou que a "economia solidária é uma revolução pacífica porque é democrática, esta plenária inaugura uma nova etapa da economia solidária, rumo aquilo que nós trabalhadores e trabalhadoras queremos".

O Ministro Gilberto Carvalho homenageou os trabalhadores e trabalhadoras da economia solidária, destacando a caminhada do projeto socialista e trazendo uma reflexão sobre a importância das empresas públicas e a limitação do governo, aonde as riquezas ainda estão a serviço e de posse das elites. "O movimento de economia solidária busca espaço e cria uma nova forma de produção rumo a um novo tipo de economia solidária, vocês são proféticos e precisam do reconhecimento do estado e do governo". Também destacou a luta em 2011 frente ao PL 865, e afirmou que "nós teremos o ministério da economia solidária, há uma grande abertura do governo Dilma para isso", o que foi saldado pelos participantes.

Os movimentos e redes sociais presentes, dentre eles destacamos, o Movimento Indígena, Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis, Movimento Quilombola, Articulação Nacional de Agroecologia, Via Campesina, Marcha Mundial de Mulheres, Articulação de Mulheres Brasileira, Comissão dos Pontos de Cultura, CUT Nacional, Faces do Brasil, Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral, Fetraf, Comissão Pastoral da Pesca e Rede Saúde Mental, tiveram sua fala em um lindo cordel construído conjuntamente. Na sequência uma mística com o anel de tucum firmou o compromisso com cada um/a dos presentes, simbolizando o compromisso com a causa, com a vida e a justiça.

As mulheres também realizaram um ato contra o machismo, o capitalismo, a exploração e o patriarcado. E a grande bandeira da economia solidária foi aberta e saudada por todas e todos participantes.

No ato de encerramento final também estiveram presentes as Secretárias de Juventude, de Desenvolvimento Territorial/MDA, de Políticas Especial para as Mulheres, BNDES e Conab.




sexta-feira, 14 de dezembro de 2012



Trem turístico prometido para antes do carnaval

TURISMO
A perspectiva é que a viagem inaugural seja em fevereiro de 2013, às vésperas do Carnaval, e a operação em definitivo no mês de junho

Composição do modelo litorina que atenderá Mangaratiba - FOTOS DIVULGAÇÃO PMM
Composição do modelo litorina que atenderá Mangaratiba – FOTOS DIVULGAÇÃO PMM

O projeto “Trem dos Mares da Costa Verde”, da Prefeitura de Mangaratiba, continua a todo vapor. Neste fim de semana o secretário de Assuntos Estratégicos Francisco Ramalho esteve na cidade de Santos Dumont, Minas Gerais, para uma reunião com representantes da associação Movimento Nacional Amigos do Trem. O objetivo do encontro foi fechar a parceria entre a prefeitura e o órgão e conhecer o veículo que será responsável pelo passeio.

Francisco comemorou o resultado da reunião e disse que o projeto está em ritmo acelerado. “Esse encontro foi muito positivo, pois fechamos a parceria. Eles vão nos ceder a composição do modelo litorina, de cabine única com capacidade para 80 pessoas, que vai percorrer o trajeto de 18 Km. Em contrapartida nós iremos absorver a mão de obra especializada deles que conta com maquinista, mecânicos, equipe de manutenção e outros setores específicos”. Francisco ressalta ainda que a ideia é desenvolver um plano integrado de turismo, ligando mar e montanha. “Mais uma empresa vai se instalar em Mangaratiba, trazendo empregos e alavancando o turismo sustentável”.

A empresa que o secretário se refere é a Serra Verde Express, que já explora a linha Curitiba-Paranaguá, no Paraná. Ela pretende trabalhar com hotéis e restaurantes da cidade para venda de pacotes fechados com estadia e alimentação. A perspectiva é que a viagem inaugural seja em fevereiro de 2013, às vésperas do Carnaval, e a operação em definitivo no mês de junho, já com a anuência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O assessor da Secretaria estadual de Transportes e especialista em ferrovias, Antônio Pastori explica que o projeto está bem encaminhado. “Hoje, no Estado do Rio só temos o Corcovado como trem turístico, que leva cerca 800 mil passageiros por ano. Este seria o segundo, daí a enorme importância deste projeto”, concluiu.

FOTOS DIVULGAÇÃO PMM
FOTOS DIVULGAÇÃO PMM

Próxima reunião será decisiva
No próximo dia 21 acontecerá uma nova reunião, talvez a mais importante até o momento, que reunirá representantes da operadora Serra Verde Express, técnicos e representantes da MRS, Vale, ANTT e Governos Estadual e Municipal. A reunião decisiva traçará as datas da operação, análise de dados de controle, exigências pendentes para o funcionamento, desvios, engate de linhas, toda a parte de engenharia e discussão das licenças.

Conheça o projeto
O Trem dos Mares oferecerá uma viagem temática de trem. O passeio percorrerá o trecho de 18 km entre Itacuruçá e a enseada de Santo Antônio. Os passageiros poderão ver e vivenciar importantes elementos históricos, como as monumentais ruínas do Sahy – que guardam em suas construções a lendária trajetória do tráfico negreiro – além dos pontos turísticos, culturais e históricos presentes nos 180 anos de história de Mangaratiba. O trajeto permite inclusive a visualização da Ilha Grande e a Ilha da Marambaia, emolduradas pelas muralhas da Serra do Mar.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Aberta a V Plenária: Por uma nova economia

10 de dezembro de 2012
Fonte: Fernanda Pessoa
Image Com muita alegria e ao som de ciranda, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária-FBES deu início à V Plenária Nacional de Economia Solidária. Empreendedores solidários de todas as partes do Brasil estarão reunidos em LuziâniaGO, de hoje (09) a 13 de dezembro, com o objetivo de debater um novo sistema econômico, pautado na justiça social, no respeito à diversidade cultural e em prol do desenvolvimento sustentável.
Um coro de vozes emocionadas deu ritmo à abertura do evento, que reunirá aproximadamente 1000 trabalhadores e trabalhadoras, entre representantes estaduais, escolhidos nas etapas locais e estaduais, além de convidados definidos pela Comissão Organizadora Nacional e entidades apoiadoras. Todos juntos. Quilombolas, indígenas, homens, mulheres e crianças, cantando a diversidade de culturas e vivências, para discutir e propor uma nova economia, pautada no fortalecimento do trabalho associativo e no protagonismo no desenvolvimento local, através da constituição de empreendimentos econômicos solidários e da articulação de redes de cooperação entre grupos produtivos.
Representantes de todas as regiões do país trouxeram um pouco da terra e água de seus territórios para agradecer os recursos que nos permitem bem-viver no planeta, e homenagear os companheiros e companheiras que cooperaram para este encontro acontecer, mas não puderam comparecer. A mística de abertura, conduzida por Deusdete Oliveira , foi encerrada com uma lúdica mistura de todos esses elementos, pelas mãos de Daniela Rueda e Paulo Morais membros da Secretaria Executiva do FBES. A bandeira da Economia Solidária foi estendida e segurada por todos que, unidos, realizarão a orientação política do movimento de economia solidária para os próximos três anos, o diálogo com os movimentos parceiros, e a formação de grupos em mesas temáticas, para discutir temas importantes e aprofundar o conteúdo do documento síntese da Plenária.
O que é o bem viver? A pergunta foi lançada, e o resultado do primeiro dia é a unanimidade pelo desejo de “mais amor o próximo”, “repeito à diversidade”, “ alimentos sem veneno”,” o mundo sem patrão e sem empregados”, “justiça social e respeito”, “preservação do meio ambiente”, entre outros. Serão cinco dias de muito diálogo. Pela valorização do ser humano, e não do capital. Após as falas de motivação e agradecimentos, de Ana Dubeux e Franscisca de Jesus, com muita emoção, esperança, e principalmente solidariedade foi iniciada a V Plenária.

V Plenária Nacional de Economia Solidária receberá no dia 13 Ministro Gilberto Carvalho
A V Plenária Nacional de Economia Solidária – “bem-viver, cooperação e autogestão para o desenvolvimento justo e sustentável” realizada pelo Fórum Brasileiro de Economia Solidária, esta reunida em Luziânia (GO) para debater suas ações para o próximo triênio. Estão reunidos 600 representantes dos 26 Estados mais o Distrito Federal eleitos, através de um processo que envolveu mais de 10.000 pessoas que participaram das etapas locais/territoriais, municipais, estaduais e temáticas, sendo ao todo realizadas 194 plenárias pelo país.
Estão presentes neste encontro diversos movimentos sociais, como catadores, feministas, quilombolas, indígenas, agricultores, representantes de pontos de cultura, pescadores para a construção de uma economia mais justa, através da abordagem do tema bem-viver.
Neste dia 13 de dezembro nos reuniremos para a realização de um Ato Político a partir das 11h, na sede da CTE / CNTI. Estão confirmadas as presenças das seguintes autoridades e indicação dos movimentos sociais: Ministro Gilberto Carvalho – Secretaria Geral da Presidência; Paul Singer – Secretário Nacional da Secretaria Nacional de Economia Solidária / MTE; Paulo Teixeira – Presidente da Frente Parlamentar de Economia Solidária; Paulo Rubens Santiago – Deputado Federal (PE); Carlos Cabral – Deputado Estadual (GO); Representante da Secretaria Nacional de Juventude; Andrea Butto - Secretaria de Desenvolvimento Territorial / MDA; Associação Nacional de Agroecologia, Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Articulação de Mulheres Brasileiras, Marcha Mundial das Mulheres, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, Central Única dos Trabalhadores, Faces do Brasil, Rede Nacional Quilombolas, Ficha Limpa, Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura Familiar e a Rede de Educação Cidadã



Ademar Bertucci e Paul Singer foram homenageados durante a tarde de hoje (10) VPNECOSOL. No segundo dia de atividades, o professor Singer trouxe contribuições importantes sobre a temática "Bem Viver", refletindo as conquistas e desafios do atual cenário do movimento de Economia Solidária.



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

 Moeda própria e desenvolvimento para moradores do Preventório
Moradores da comunidade de Niterói usam o Prevê e têm conseguido empréstimos e
descontos em compras. 80% do comércio local já adotou o uso da moeda social


Em menos de um ano de vida, o Banco Comunitário do Preventório, em Jurujuba, já conseguiu alçar números de sucesso, tornando-se referência entre os bancos comunitários do país. Fruto de uma parceria entre moradores, Pró-reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense (Proex UFF) e Ampla, o Banco do Preventório, que é o segundo no Estado do Rio de Janeiro, possui uma consultoria e acompanhamento do Banco Comunitário Palmas, do Ceará. Desde a criação, em setembro do ano passado, 80% dos comércios (o que corresponde a cerca de 70 estabelecimentos) já se cadastraram ao banco e aderiram à moeda social, o “Prevê”. Desde então, 400 contratos de moedas sociais já foram realizados, movimentando mais de 30 mil prevês na comunidade.

Os descontos, concedidos pelos comerciantes aos que compram em moeda social, que varia de 5 a 10% sobre o valor do produto, tem estimulado o comércio e o desenvolvimento local, cujo foco do consumo por parte da população tem sido de bens alimentícios e de gás. Além das notas de vinte e cinco centavos, um, dois, cinco, dez, vinte e vinte e cinco prevês, o banco passou a emitir a moeda de 50 no princípio deste mês. Para implantação do projeto, a Ampla investiu R$ 500 mil, sendo esse valor dividido para os dois primeiros anos – o que corresponde aos anos de 2011 e 2012. A expectativa é que após esse período, o banco já se torne sustentável.

“Em pouco tempo chegamos a números de bancos com mais tempo de atividade no país. Isso é um aspecto muito positivo e indício de que estamos no caminho certo”, declarou o presidente do banco, Marcos Rodrigo.

O diretor de Comunicação e Relações Institucionais da Ampla, André Moragas, acredita que o projeto está em sintonia com as questões sociais da empresa. “Para a Ampla, investir em um projeto como o Banco Comunitário é uma oportunidade de expandir a cultura já trabalhada pela empresa, do uso mais sustentável da energia elétrica, através de atividades para a educação do consumo consciente, eficiência energética, geração de renda e desenvolvimento local”, disse.

O professor de economia pela UFF e secretário municipal de Ciência e Tecnologia do município do Rio de Janeiro, Franklin Dias, destacou a importância do projeto e relatou que a tendência é que esse modelo se expanda pelo país não apenas em comunidades carentes. “Esse modelo alternativo de economia é um instrumento de desenvolvimento da comunidade; um sistema que permite que a sociedade de um determinado local tenha acesso ao crédito, que até então era dificultado pelos bancos convencionais. A probabilidade é que esse modelo se estenda não apenas entre as comunidades carentes, mas que se torne uma alternativa de solução para o crescimento da economia e consequentemente o desenvolvimento de um local, como acontece no município de Silva Jardim, por exemplo”, disse.

A socióloga e coordenadora da Incubadora de Empreendimentos em Economia Solidária da UFF (IEES-UFF), Bárbara França, um dos órgãos responsáveis pela implantação do projeto juntamente com a Ampla, pontua que o banco, além de movimentar a economia local, tem permitido uma organização popular da comunidade. “A maior beleza do projeto é que ele é administrado e gerido pelos próprios moradores, diferente do que acontece em outros municípios, onde a prefeitura atua juntamente. Essa necessidade de trabalho em conjunto está “obrigando” que eles se organizem, e é preciso que seja dito: eles estão se saindo muito bem, tornando a comunidade em que vivem em um exemplo de cidadania e de qualidade de vida”, declarou. 

Além de movimentar a economia e o desenvolvimento, o banco permite a implantação de projetos sociais na comunidade. “Nosso objetivo não é meramente econômico. Nosso alvo é trabalhar em cima desse quesito para desenvolver outros setores. A ideia é que o banco seja um ponto de partida, um agente que contribua para o desenvolvimento humano, social e intelectual da comunidade”, disse Marcos Rodrigo.

Crédito para construção

Além dos contratos de moeda social, o banco também oferece o crédito produtivo e o de construção. No primeiro, o morador tem direito de pegar até R$ 800 ou prevês, o que fica a critério pessoal. Esse empréstimo é oferecido para que a pessoa possa desenvolver algum projeto ou então ampliar algum negócio próprio. Já para o crédito de construção, é oferecido até R$ 500. Nesse segundo caso, para conseguir o benefício, o morador precisa ir ao estabelecimento e fazer o orçamento com o lojista, que repassa para o banco, que é quem decide se autoriza ou não a venda.

Para essa decisão, o banco conta com um comitê de moradores – as agenciadoras de crédito, frisou Marcos Rodrigo. “Nosso critério é a confiança. Temos uma equipe que analisa quem é o morador, e o entrevista para saber se a pessoa tem experiência no ramo em que deseja atuar, se é conhecido e há quanto tempo mora na comunidade”, disse Marcos Rodrigo.

A comerciante Maria Rosa Santana, de 50 anos, aprova a medida. Ela conta que desde a implantação do ‘prevê’, o movimento melhorou. “A possibilidade de oferecer desconto atrai o consumidor”, diz Maria Rosa, que pretende ampliar seu negócio adquirindo um crédito produtivo. “Quero fazer uma reforma na loja e comprar uma barraquinha para que possa vender meus quitutes”, contou.

O comerciante José Pedro de Oliveira, de 58 anos, já sentiu reflexos da nova moeda. “Através do banco tive a oportunidade de comprar um aspirador e uma bomba para o meu lava a jato, coisa que há seis anos trabalhando não consegui por conta das questões burocráticas e taxas de juros de um banco convencional”, pontuou.

No começo do mês, foi inaugurado o “Prevêstibular” e o Clube de Energia Solidário, em parceria com a Ampla e com a UFF. Quanto maior for o pagamento de contas através do Clube de Energia Solidária, maior será o repasse de parte desta arrecadação para o Banco Comunitário, que irá investir em ações no desenvolvimento local.


Com os prevês, moradores conseguem descontos de até 10% em suas compras  Foto: Marcello AlmoMoeda própria do Morro do Preventório, em Niterói se consolida após um ano em circulação, com vantagens para moradores que utilizam o “Prevê.” José Pedro conseguiu comprar aspirador para o lava a jato.  Foto: Marcello Almo













sexta-feira, 30 de novembro de 2012

29/11/2012     21h33

Aumento da expectativa de vida muda cálculos da aposentadoria

Fórmula matemática para calcular o valor a receber da Previdência leva em conta a expectativa de vida para cada faixa etária. Quanto maior, menor será o benefício a ser recebido no futuro.

A expectativa de vida da população brasileira mudou e provocou alterações no cálculo das aposentadorias.

A notícia é boa. O brasileiro está vivendo mais. Segundo o IBGE, uma pessoa que nasceu em 2010 tinha a expectativa de viver 73 anos, 9 meses e 3 dias. Em 2011, a expectativa subiu para 74 anos e 29 dias, quase quatro meses a mais.

Quando a expectativa de vida dos cidadãos aumenta, a população do país fica mais velha e isso tem um custo para a Previdência. Mais contribuintes vão receber aposentadoria por mais tempo. Para tentar evitar o desequilíbrio nas contas do INSS e a falta de dinheiro para pagar os benefícios, foi criado em 1999 o fator previdenciário.

O advogado Theodoro Agostinho explica que o objetivo era que os brasileiros demorassem um pouco mais para se aposentar ou recebessem um pouco menos se pedissem a aposentadoria assim que completassem o tempo mínimo de contribuição, que é de 30 anos para as mulheres e 35 para os homens hoje.

“Se você quiser se aposentar com uma idade tida pela Previdência Social como nova, isso faz o que insere na fórmula e reduz drasticamente a aposentadoria dos segurados”, aponta ele.

A fórmula matemática para calcular o valor a receber da Previdência leva em conta a expectativa de vida para cada faixa etária. A tabela divulgada nesta quinta-feira (29) pelo IBGE mostra que de 45 a 48 anos, a expectativa de vida aumentou. Com isso, as aposentadorias pedidas a partir de segunda-feira (3) vão diminuir. Exceto para quem tem 47 anos, faixa em que nada mudou.

O mesmo acontece de 49 a 54 anos. O benefício ficará igual. Mas, para quem tem de 55 a 65 anos, a expectativa de vida caiu. E o valor da aposentadoria ficará maior.

Veja o exemplo de um homem com contribuição de R$ 2 mil e que se aposente hoje aos 57 anos de idade. Ele seria beneficiado. A aposentadoria passaria de R$ 1.543 para R$ 1.549 com a nova tabela.

RIO — Pela primeira vez desde 1999, o anúncio do aumento da expectativa de vida dos brasileiros não vai provocar uma redução no valor a ser recebido pelos trabalhadores que forem pedir a aposentadoria pelo INSS, nos próximos 12 meses.

A tábua de mortalidade, divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE, mostra que a esperança de vida ao nascer, que era de 73,76 anos em 2010 subiu para 74,08 anos em 2011. Mas nas faixas etárias acima dos 50 anos, o número recuou.

— Essa mudança aconteceu porque a tábua de 2011 foi construída com base nos censo de 2010 e as demais eram projetadas. Como houve melhora na qualidade dos dados, ocorreu essa diferença — explicou Fernando Albuquerque, pesquisador do IBGE.


E como a expectativa de vida no momento da aposentadoria é uma das variáveis usadas pelo INSS na hora de calcular do benefício, essa queda vai significar ligeiro aumento no valor a ser recebido. Tudo por causa do fator previdenciário, fórmula matemática que determina que quanto maior a expectativa de vida menor o valor da aposentadoria. As diferenças, entrentanto, variam caso a caso, segundo as condições de cada trabalhador
Imagine que um homem vá se aposentar aos 55 anos de idade, após 30 anos de contribuição, e tenha como resultado da média de seus 80% maiores descontos ao INSS um valor de R$ 3 mil.

Se ele pedir a aposentadoria até amanhã, quando ainda está em vigor a tábua de mortalidade de 2010, seu fator previdenciário será calculado com base numa expectativa de vida de 25,2 anos e resultará num fator previdênciário de 0,5507. Aplicado sobre os R$ 3 mil, sua aposentadoria será de R$ 1.652,10.

Se o mesmo trabalhador hipotético entrar com seu pedido de aposentadoria a partir do dia 1º de dezembro, seu fator previdenciário será de 0,5529, porque na nova tábua do IBGE, a esperança de vida aos 55 anos recuou para 25,1 anos. E o valor a ser recebido da Previdência será R$ 1.658,70.

Tendência é que a expectativa de vida volte a crescer


Mas não foi sempre assim. Desde que as tábuas de mortalidade começaram a ser divulgadas pelo IBGE, a expectativa de vida do brasileiro vinha crescendo em todas as faixas etárias e com isso, o valor das novas aposentadorias concedidas pelo INSS a trabalhadores nas mesmas condições vinha caindo ano a ano.

Considerando as mesmas condições do trabalhador usado como exemplo, a perda gerada apenas pelo aumento da expectativa de vida registrada entre 1999 e 2010 chega a 6,5% do benefício. Isso porque, em 1999, a esperança de vida aos 55 anos era de 23,5 anos, o que resultava num fator previdenciário de 0,5905. Aplicado, por exemplo, sobre uma base de contribuição de R$ 1 mil, daria direito a uma aposentadoria de R$ 590,50. Se os mesmos valores fosse calculados pela expectativa de vida de 2010, o benefício seria de R$ 552,90.

Segundo Albuquerque, nos próximo anos, a tendência é que a expectativa de vida volte a crescer em todas as faixas etárias, porque como só há censo a cada dez anos, os números voltarão a ser projetados e nesses casos, estima-se crescimento para todas as faixas etárias.

— Em 2003, quando publicamos a tábua de 2002 com base no censo, houve uma diferença maior mas para aumentar a expectativa de vida. No faixa de 60 anos, por exemplo, a expectativa passu de 17,8 anos para 20,3, uma diferença de 2,5 anos. Nesse ano, a diferença provocou queda na expectativa de vida, o que do ponto de vista da aposentadoria é bom para o trabalhador — diz Albuquerque.

São essas diferenças — em sua maioria para baixo — no valor das aposentadorias pagas que levaram o Ministério da Previdência a economizar cerca de R$ 56 bilhões com pagamento de aposentadorias desde a criação do fator previdênciário. E também leva aposentados e alguns parlamentares a pedirem que a fórmula seja extinta. O projeto que pede o fim do fator previdenciário, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) está pauta da Câmara, aguardando votação


© 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

28/11/2012 09h27 - Atualizado em 28/11/2012 10h51

Procon-SP lista 200 sites que devem ser evitados para compras na internet

Órgão recebeu reclamações por irregularidades no comércio eletrônico.
Principais delas foram falta de entrega do produto e ausência de resposta.

A Fundação Procon-SP divulgou nesta quarta-feira (28) uma lista com mais de 200 sites que devem ser evitados pelo consumidor em compras pela internet. As páginas não são recomendadas porque o órgão recebeu reclamações por irregularidades na prática de comércio eletrônico.

A lista está disponível no site da Fundação Procon (clique aqui para acessar), com endereço eletrônico em ordem alfabética, razão social da empresa e número do CNPJ ou CPF. Os sites ainda foram classificados pelo órgão de defesa do consumidor com as condições "fora do ar" ou "no ar".
Dicas antes de comprar na internet
Pesquise
Evite comprar por impulso. Verifique a garantia, o modelo, o preço e a forma de pagamento
Segurança da loja
Procure a identificação da loja: razão social, CNPJ, endereço, telefone, email e a segurança da página
Produto
Analise a descrição do produto, compare com outras marcas, visite a página do fabricante para confirmar funções e certifique-se que ele supre sua necessidade
Senha na internet
Evite senhas usadas em outros sites, datas de aniversário, sequências numéricas ou alfabéticas
Entrega
A data e o prazo de entrega devem ser especificados. Verifique o valor do frete e a política de troca e devolução dos produtos
Comprovante
Imprima e guarde todos os documentos que demonstrem a compra e confirmação do pedido
Garantia estendida
Algumas lojas "empurram" a aquisição da garantia estendida do produto (que dura mais tempo que a já oferecida pelo fabricante). Esteja atento se realmente quer o serviço antes de fechar a compra
Fonte: Procon-SP
De acordo com o Procon-SP, as principais reclamações dos consumidores sobre as páginas não recomendadas são: falta de entrega do produto adquirido pelo consumidor e ausência de resposta das empresas para a solução do problema.

“Esses fornecedores virtuais não são localizados, inclusive no rastreamento feito no banco de dados de órgãos como Junta Comercial, Receita Federal e Registro BR, responsável pelo registro de domínios no Brasil, o que inviabiliza a solução do problema apresentado pelo consumidor”, diz o diretor executivo do Procon-SP, Paulo Arthur Góes, em nota.

O diretor classifica como "preocupante" a proliferação desses endereços eletrônicos mal- intencionados, que em alguns casos continuam no ar lesando o consumidor. "Denunciamos os casos ao Departamento de Polícia e Proteção a Pessoa (DPPC) e ao Comitê Gestor da Internet (CGI), que controla o registro de domínios no Brasil, mas, o mais importante é que o consumidor consulte essa lista antes de fechar uma compra pela internet, para evitar o prejuízo", ressalva, em nota.
DicasPara orientar o consumidor na hora de fazer compras pela internet, o Procon-SP elaborou uma cartilha, chamada  "Guia de Comércio Eletrônico" (acesse aqui). No documento há dicas e cuidados que o consumidor deve ter ao comprar produtos ou contratar serviços online.

Entre elas estão procurar no site a identificação da loja, como razão social, CNPJ, endereço, telefone e outras formas de contato além do email. É preciso, ainda, redobrar os cuidados quando o site exibir como forma de contato apenas um telefone celular. O Procon sugere que o consumidor dê preferência a sites que tenham Sistema de Atendimento ao Consumidor (SAC). Também é importante instalar programa de antivírus e firewall no computador, sistema que impede a transmissão e recepção de acessos nocivos ou não autorizados.

Para ler mais notícias do G1 Economia, clique em g1.globo.com/economia. Siga também o G1 Economia no Twitter e por RSS.
tópicos:

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Políticas de Economia Solidária e Segurança Alimentar são consolidadas no município

Prefeito Carlito Merss assinou nesta segunda (12/11) as leis que criam as políticas


As Políticas Públicas de Economia Solidária e de Segurança Alimentar foram consolidadas no município com a aprovação de duas leis, na manhã desta segunda-feira (12/11). O prefeito Carlito Merss assinou os documentos em uma cerimônia na Prefeitura de Joinville, que contou com a presença de representantes do poder público, da sociedade civil e pessoas que participaram da elaboração dos respectivos documentos.

A Lei nº 7.305 dispõe sobre a Política Municipal de Fomento à Economia Solidária. A consolidação desta Política no município irá contribuir para o desenvolvimento de mais empreendimentos solidários, que têm por base princípios como a autogestão, a cooperação e solidariedade. Nos empreendimentos que adotam esta prática, são desenvolvidas gestões democráticas, nas quais o lucro arrecadado com a venda de produtos ou serviços é distribuído igualmente entre os trabalhadores.

A Política será gerida pela Secretaria de Assistência Social, que ficará responsável por criar um Comitê Gestor e o Conselho Municipal de Economia Solidária. A atuação de profissionais na efetivação desta lei irá contribuir para a ampliação do acesso ao trabalho e renda, para o fomento à implantação de novos empreendimentos econômicos solidários, para a formação e capacitação de trabalhadores e a articulação de empreendimentos com o mercado.

O segundo documento assinado foi a Lei nº 7.306, que cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) no âmbito municipal e cria os demais instrumentos necessários para sua execução. Esta lei consolida e estrutura a Política de Segurança Alimentar no município e contribuirá para ampliação do direito à alimentação, melhoria da qualidade dos alimentos ofertados, monitoramento da situação alimentar no município e ampliação dos equipamentos de segurança alimentar.

A lei também prevê a criação da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), que ficará responsável por elaborar a Política e o Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional. A Câmara será composta por representantes de diferentes políticas públicas, integrando, desta forma, vários setores que prezam pela segurança alimentar no município.

Durante o evento, o prefeito Carlito Merss lembrou parte da trajetória para a consolidação destas leis e destacou a aprovação dos documentos como um marco para o município. “Depois de anos, conseguimos reunir, nas duas áreas, o que há de mais relevante. Acredito que estes textos poderão até servir de referência para outros municípios, que também trabalham na constituição de suas Políticas de Economia Solidária e Segurança Alimentar”.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Consciência Negra? Apenas uma comunidade quilombola foi reconhecida em 2012
São Paulo, 14 de novembro de 2012.

 A maioria dos descentes de negros explorados como escravos no Brasil segue sem direito de acesso à terra garantido. Este ano, apenas uma comunidade quilombola, a do Quilombo Chácara de Buriti, de Campo Grande (MS), conseguiu título de posse definitiva por parte do Governo Federal. Mesmo assim, foram reconhecidos somente 12 hectares dos 44 hectares identificados no Relatório de Identificação de Territórios Quilombolas (RTID) e reinvidicados pelos moradores. Até hoje, 193 terras quilombolas receberam títulos. Estima-se que existam 3.000 comunidades no Brasil e há mais de mil processos abertos aguardando conclusão no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). As informações fazem parte de levantamento feito pela Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) divulgado nesta semana.

 Além do Quilombo Chácara do Buriti, mais duas comunidades tiveram acesso à terra garantido, apesar de ainda não terem títulos definitivos. São elas a Cafundó (SP) e a Invernada dos Negros, também conhecida como Fazenda Conquista, em Campos Novos (SC). Ambos foram beneficiadas pela Concessão Real de Uso Coletivo para Terras Quilombolas, medida prevista no artigo 24 da Instrução Normativa do Incra número 57 de 2009. A concessão não é o título definitivo, mas permite que os quilombolas ocupem e utilizem economicamente as terras, antes que o processo de titulação chegue ao fim. Antes de 2012, tal mecanismo ainda não havia sido utilizado pelo Incra.

No ano passado, também apenas uma comunidade conquistou a posse definitiva. É difícil acompanhar o andamento dos pedidos de reconhecimento. A este respeito, em reunião com representantes de comunidades quilombolas, em 29 de outubro, o presidente do Incra, Carlos Guedes, prometeu mudanças. "Vamos tornar público o acesso aos processos, etapa por etapa, área por área", afirmou, argumentando que nem sempre é simples fazer o reconhecimento. "Isto [a abertura dos dados] vai externar a complexidade, pois alguns contam com processos envolvendo terras públicas, sobretudo no Norte e Nordeste e outras com áreas particulares, principalmente no Centro-Sul Brasileiro".

 O representante do Governo Federal anunciou no encontro que o Incra vai destinar R$ 1,2 milhão para os Relatórios de Identificação de Territórios Quilombolas (RTID). Nenhum título foi reconhecido por governos estaduais este ano, segundo a CPI-SP.

 Reconhecimento oficial

 Até receber o título, as comunidades enfrentam longo processo (confira aqui como se dá uma titulação, passo a passo). Os procedimentos para a identificação e titulação das terras quilombolas são orientados por legislação federal e por legislações estaduais.

 Em 2012, não só poucas titulações foram concluídas, como também houve uma redução no número de decisões que permitem o andamento dos processos. De acordo com o levantamento da CPI-SP, até outubro deste ano foram publicadas quatro Portarias de Reconhecimento pelo Presidente do Incra e sete Relatórios de Identificação de Territórios Quilombolas (RTID). É menos da metade das dez Portarias e 21 RTIDs efetivadas em 2011, quando também foi emitido um Decreto de Desapropriação, da comunidade Brejo dos Crioulos (MG).

 Nem sempre, o andamento dos processos é tranquilo. Um exemplo disso é o caso da comunidade quilombola Rio dos Macacos, localizada em Simões Filho (BA), que teve parte de sua área doada para a Marinha. O Incra abriu processo de titulação em 2011 e chegou a produzir o RTID que identificou as terras, mas o documento não foi publicado devido ao impasse criado. Agora a Marinha tenta conseguir na Justiça a expulsão dos quilombolas enquanto a União propõe que as famílias sejam transferidas para local de 23 hectares, bem menos do que os 300 hectares originais. A comunidade rejeitou a proposta e o impasse permanece.

O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro no Brasil. A data foi escolhida como um marco para reflexão sobre direitos e desigualdades no país trata-se de um momento importante para discussões sobre traumas do passado e pespectivas de superação histórica de violências cometidas ao longo da história do país.

domingo, 18 de novembro de 2012


Integrantes do Fórum Local de Economia Solidária de Campos se reuniram ontem (quarta-feira, 7) na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) para discutir questões relativas ao mapeamento dos grupos de Economia Solidária da região Norte Fluminense, que começou em 2009 e que vai terminar no dia 20 de dezembro de 2012.


Na oportunidade, esteve presente em Campos a coordenadora do mapeamento de Ecosol do Rio de Janeiro, Bianca Lessa. Ela explicou que o mapeamento vai registrar empreendimentos coletivos e está sendo feito por meio dos fóruns. "O mapeamento segue os termos que foram tirados na IV Plenária, da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), do Ministério do Trabalho e Emprego", afirma Lessa.

- Em Campos, existem 31 grupos registrados no Fórum Local de Economia Solidária. A Incubadora assessora o Fórum, com apoio na parte técnica, administrativa, com contato com os grupos que fazem parte da Rede de Economia Solidária do Norte-Fluminense - informa a assessora da Rede de Ecosol NF, projeto de extensão da ITEP/UENF, Daniele Azevedo.

"Maria bota o seu computador para trabalhar e ganha dinheiro enquanto trabalha de casa. Ela diz que isso ajudou a mudar a sua vida financeira e recomenda a todos como uma boa oportunidade.
Você já pensou em trabalhar de casa na internet?
Edição do dia 12/11/2012

Brasil tem mais de cinco mil vagões de trem sem uso parados em galpões

São cinco décadas de abandono. Nos anos 60, 37 mil quilômetros de ferrovias faziam uma parte do que hoje se faz de ônibus, carro ou avião.

Rodrigo Alvarez, Wilson Araújo e Marcelo di Gênova
 São Paulo, SP

Cinco décadas de abandono nas ferrovias e as viagens de trem no Brasil praticamente acabaram. O que era um projeto de integração nacional virou sucata. É o que você vai ver em uma série especial que o Bom Dia Brasil exibe.
Faz quase 30 anos que o último passageiro foi embora, mas, por incrível que pareça, a porta continua aberta. E ainda tem barulho de trem. Sonho? Delírio? Nada disso. O trem se aproxima e a gente acaba descobrindo que a velha estação serve como pátio de manobra para locomotivas de carga.
O que sobrou da belíssima Estação Vitória? Não tem mais nada dos vagões que faziam viagens românticas e luxuosas até o Rio de Janeiro. Dá para imaginar uma sala de espera, uma parte administrativa da estação, mas está tudo pichado. Móveis largados, destruídos. Na verdade, a estação é um retrato do que aconteceu com os trens de passageiros no Brasil.
Em Cordeirópolis, no interior de São Paulo, o trem passa levando carga. E não para. A sensação é de estar visitando os escombros, as ruínas de um grande projeto de integração nacional por meio de trens de passageiros. Isso quase aconteceu, mas já faz muito tempo.
O mapa de 1954 mostra como os trens de passageiros ligavam o litoral e o interior, principalmente no Sudeste e no Nordeste do Brasil, mas também no Norte e no Sul. No auge, nos anos 60, eram mais de 37 mil quilômetros de ferrovias fazendo pelo menos uma parte do que hoje se faz de ônibus, carro ou avião.
Depois de 16 anos estudando a história dos trens no Brasil, Ralph Guisbrert concluiu que o maior problema foi o sucateamento da linha férrea durante a Segunda Guerra Mundial. “As pessoas mais ricas, que eram quem sustentava os trens de passageiros, rapidamente largaram os trens de passageiro e começaram a andar de avião, de carros, que já chegavam cada vez mais baratos. Então começou a cair manutenção dos trens, das vias, das estações”, explica.
Pouco a pouco, o que sobrou da Ferrovia Paulista foi se juntando ao que sobrou da Rede Ferroviária Federal para formar um grande ferro-velho nacional. São 5,7 mil vagões e locomotivas enferrujando, apodrecendo e atrapalhando.
Um galpão, no interior de São Paulo, guarda só uma parte da herança incômoda deixada há 15 anos pela rede federal para as concessionárias privadas, que agora operam os trens de carga no país. As empresas são obrigadas a cuidar da sucata e não podem tirar um único parafuso da mistura de lixo e relíquias.
O vagão escuro é sinônimo de um luxo que já não existe mais no Brasil. Foi o vagão dormitório de um trem de passageiro. Nele, um armário, uma cama dobrável com um vaso sanitário embaixo.
Na Grande São Paulo, existem mais de 300 vagões largados, ocupando o equivalente a sete quilômetros de trilhos. “Esses troços atrapalham a gente, porque eu poderia tirar um trem para ele entrar em operação, mas eu topo com isso aqui. O custo é: nós temos segurança. Se o segurança não está aqui no horário eles entram, botam fogo, como aconteceu”, explica Evaldo Ferreira, gerente-geral de manutenção da CPTM.
Só este ano foram oito vagões incendiados por invasores. Por email, a Agência Nacional de Transportes Terrestres disse que o material que pertencia à antiga RFFSA está sendo incorporado ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o DNIT, e que ainda passa por um processo de levantamento.
“Esses trens estão aqui há mais de 30 anos”, afirma Evaldo Ferreira.
“Esse material é inservível. Vai ser leiloado, vai ser vendido como sucata. Isso não tem data. Pode levar 5, 8, 10 anos”, explica Marcelo Perrupato, secretário de Política Nacional de Transportes.
E assim, por uma daquelas questões de inexplicável burocracia, o investimento astronômico feito no passado continua jogado nos galpões ao sabor dos ventos.


Brasil Rural Contemporaneo 2012
Dias: de 21 a 25 de novembro.  
Local: Marina da Glória – Rua Infante Dom Henrique s/n (RJ).
 

VIII Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma – Brasil Rural Contemporâneo 2012
 
O Brasil Rural Contemporâneo é o campo chegando à cidade, trazendo a diversidade, a tradição e a riqueza de um povo que produz a maioria dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro. É a agricultura familiar diversificada, organizada e sustentável mostrando sua força, mantendo vivas as tradições ao mesmo tempo em que inova, se moderniza e cresce.

O olhar do visitante dança pela variedade de cores e texturas do artesanato destes talentos do Brasil. O paladar se perde entre os sabores do Cerrado, da Amazônia, da Caatinga, dos vinhos, cachaças, queijos produzidos pelas mãos das mulheres e homens do campo. Os ouvidos se encantam com os sons carregados de identidade que representam cada canto do País.

Mais que um espaço para experimentar ou comprar, o Brasil Rural Contemporâneo é uma oportunidade de conhecer e aprender. Nos Diálogos Brasil Rural, temas relevantes para o desenvolvimento agrário entram em discussão e são transmitidos ao vivo pela internet. Espaços temáticos expressam o trabalho das mulheres, os produtos da sociobiodiversidade, a gastronomia. E uma programação cultural mostra a diversidade cultural brasileira.

O Rio de Janeiro, mais uma vez, recebe de braços abertos o maior evento da agricultura familiar brasileira, de 21 a 25 de novembro, na Marina da Glória. É a oitava edição, 40 mil m2, 650 empreendimentos, cinco dias de oportunidades para interagir com o que há de melhor no Brasil Rural Contemporâneo.
 
Projetos Especiais do Brasil Rural Contemporâneo

Na Praça da Sociobiodiversidade, o público vai conhecer o artesanato, comidas e cosméticos produzidos a partir de matéria-prima da biodiversidade dos biomas Caatinga, Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.

Um dos exemplos já consolidados no Brasil Rural Contemporâneo é o estande Talentos do Brasil Moda, que une design, tradição e sustentabilidade, expressando culturas e vivências das comunidades rurais brasileiras. Acessórios e roupas produzidos pelas mãos de artesãs rurais de 12 estados do Brasil estarão expostos no espaço. 

Nesta edição, uma das novidades é a Casa do Queijo, uma área interessante, onde os visitantes poderão vivenciar na prática todo o conhecimento tradicional na arte de fazer queijo. Além de degustar essa variedade de diferentes regiões do País, com diferentes formas e sabores.

Formado por 15 empreendimentos oriundos de todo Brasil, a Praça da Cachaça volta ao Rio de Janeiro como um espaço aconchegante para curiosos, degustadores, representantes e fornecedores da bebida. 

A autonomia econômica e o protagonismo das mulheres também ganhará destaque especial na Feira, no espaço Organização Produtiva das Mulheres. Nele o público terá a oportunidade única de conhecer de perto o potencial das trabalhadoras rurais na organização dos empreendimentos produtivos.

Na Praça dos Povos e Comunidades Tradicionais serão montados 15 estandes com produtos que formam uma mostra da capacidade produtiva de quilombolas, indígenas, ribeirinhos, extrativistas e pescadores artesanais. 

A Praça dos Orgânicos representa o Brasil Rural Contemporâneo diversificado e sustentável. Um ambiente destinado a 15 empreendimentos que disseminam a produção de alimentos ecologicamente correta com espaço diferenciado para o café.

A Casa do Incra vai apresentar exemplos de atividades produtivas desenvolvidas nos mais e 8 mil Projetos de Assentamentos do Incra no País. O público vai vivenciar a relação dos assentados com a produção orgânica, além de conhecer projetos para recuperação de áreas degradas

Espaços Gastronômicos

Para os amantes da boa comida, o Brasil Rural Contemporâneo traz espaços gastronômicos com uma culinária diversificada, privilegiando os pratos típicos de todas as regiões do país. O Espaço Piquenique é construído com mesas confortavelmente instaladas às margens da Baía da Guanabara, onde os visitantes podem degustar as delícias frutos da biodiversidade e riqueza cultural do Brasil.

Nos Quiosques Regionais serão servidos lanches rápidos, como tapioca, pão de queijo e outras especiarias organizadas de acordo com a região de origem. A área do Restaurante conta com mesas e cadeiras, onde serão oferecidas refeições e bebidas variadas para quem quer se “reabastecer” para voltar para a Feira.
 
 
Espaços especiais e institucionais

A criançada também tem seu espaço no Brasil Rural Contemporâneo. O ambiente traz uma réplica da Casa de Chico Mendes, modelo de moradia que espelha o modo de vida na Amazônia. No Espaço Brincante haverá um parquinho infantil e uma programação diversificada: rodas de leitura, brincadeiras, cantigas e oficinas de arte e literatura, além de uma biblioteca do Programa Arca das Letras.

O estande institucional do Ministério do Desenvolvimento Agrário apresenta os principais programas desenvolvidos pelo MDA para fortalecer toda a diversidade de públicos e produtos da agricultura familiar. No espaço de 500 m², o público pode tirar dúvidas e trocar experiências com técnicos do ministério que estarão à disposição dos visitantes durante os cinco dias da Feira.

Nos Estandes Coletivos, empreendimentos familiares de todo o País mostram sua produção organizados em grandes tendas de acordo com a região de origem. Nestas mesmas tendas, Redes de Empreendimentos Familiares apoiadas pelo MDA ocupam ambientes projetados para expor coletivamente seus produtos.

São dez estandes, sendo um para cada rede, num total de 160 empreendimentos. Participam: Rede Cooperagroate (Sul), Rede Apaco (Sul), Rede Agreco (Sul), Rede Unacoop (Sudeste), Rede Xique-Xique (Nordeste) e Rede Coopcerrado (Centro-Oeste).

Horários: quarta-feira (21/11) - das 16h às 22h; quinta e sexta-feira (22 e 23/11) – das 13h às 22h; sábado e domingo (24 e 25/11) – das 10h às 22h.
 
Ingressos: Feira: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia) – venda no local somente em dinheiro.
Feira e shows: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) – venda no local somente em dinheiro.
Feira e shows até 20h: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) – venda no local somente em dinheiro.